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Entrevista: Video Games Live



Estivemos a falar com Nelson Calvinho da Mandrake, empresa responsável por trazer o evento Video Games Live a Portugal.

- O que é a Mandrake e qual a sua actividade?

A Mandrake é uma das produtoras nacionais de espectáculos mais prestigiadas. A Mandrake tem um percurso bastante diversificado em termos de programação. Desde a sua criação em 2003, produziu dezenas de espectáculos nas áreas da música, dança, teatro, infantil, etc. Entre os êxitos da Mandrake contam-se grandes artistas e espectáculos internacionais como Herbie Hancock, La Fura Del Baus, Ópera do Malandro, Rua Sésamo, Charles Aznavour, MyDream, Pilobolus, Bobby McFerrin, Seu Jorge  ou Belle and Sebastian. 

- O que é afinal o VideoGamesLive? São apenas músicas de jogos tocadas ao vivo?

Não são “apenas” músicas de jogos tocadas ao vivo: o Video Games Live é a celebração da cultura dos videojogos através da música. Imaginem a história dos videojogos contadas num palco, do tempo do Pong e Space Invaders até aos dias de hoje, com o Halo e o World Of Warcraft, sem esquecer as grandes séries de todos os tempos, como os Zelda, os Mario ou o Final Fantasy. Imaginem a energia de um concerto de rock misturado com o poder e a emoção de uma orquestra sinfónica. A orquestra e o coro da Sinfonietta de Lisboa interpretam ao vivo os temas que marcaram a história dos videojogos desde o seu nascimento até aos nossos dias. A música é sincronizada com imagens dos jogos, projectados num ecrã gigante e com efeitos de luz fabulosos. Há “personagens” que entram em palco para interpretar cenas de videojogos e há até segmentos do espectáculo que contam com a participação de elementos do público previamente seleccionados. 

- Quem são os músicos?


Os músicos são os membros da orquestra e o coro da prestigiadíssima Sinfonietta de Lisboa, conduzida pelo maestro e um dos fundadores do Video Games Live, Jack Wall.
 

- Porque é que só ao fim de tantos anos na estrada, o VideoGamesLive chega agora Portugal? Como surgiu essa ideia?


O Video Games Live está na estrada desde 2005, tendo sido visto por mais de 125 mil pessoas de cinco continentes, em países como o Canadá, Inglaterra, Brasil, Nova Zelândia, Coreia e Espanha. É o maior e mais bem sucedido concerto de música de videojogos do mundo, com várias datas marcadas ao longo do ano, e por isso não é fácil trazer um espectáculo destas dimensões e categoria para um país como Portugal. Foi preciso ter coragem e trabalhar durante cerca de dois anos para conseguir reunir as condições necessárias para que o espectáculo pudesse passar por Portugal. Em 2008 só cinco cidades europeias tiveram o privilégio de receber o Video Games Live: Lisboa é uma delas!

Quanto aos motivos que levaram a Mandrake a ter esta ideia: o único critério utilizado na programação da Mandrake é a elevada qualidade dos espectáculos e a vontade de atingir públicos diversos. Neste sentido, o VGL apresentou-se como uma excelente oportunidade de chegar até um público muito específico – os consumidores de videojogos – e ao mesmo tempo aos apreciadores de boa música sinfónica. Esta é a primeira vez que os jogadores podem ouvir a música que conhecem intimamente acompanhados por uma imensa multidão que partilha das mesmas emoções, em vez de ouvirem as músicas em frente a um ecrã de tv ou monitor de computador. Trata-se de um espectáculo com uma qualidade admirável e todas estas razões juntas levaram a que a Mandrake não hesitasse em apostar no Video Games Live.

- A nível de organização e preparação do espectáculo, o que é necessário num evento destes?


É necessária uma grande coordenação entre a equipa de Lisboa – a Sinfonietta, a equipa de produção e marketing da Mandrake – e a equipa americana, que é reduzida, já que o Video Games Live vai “recrutando” equipas pelas cidades por onde passa. Para além disso, é preciso trabalhar em conjunto com equipas de logística, com parceiros, com a comunicação social... Enfim, é um processo em tudo semelhante ao que se encontra num grande festival de música ou na digressão de uma grande banda rock.
 
- Para além do concerto, que outras iniciativas vão acontecer?


Em torno da Praça de Touros, onde os concertos têm lugar, vamos ter tendas insufláveis montadas com expositores com os grandes jogos de Natal da Sony Computer Entertainment (com palco SingStar e tudo) e da Electronic Arts, torneios, simuladores de realidade virtual e, quase confirmado, áreas de cosplay, jogos e consolas retro, uma festa com DJs... Temos muitas actividades em preparação. Há uma especialmente louca sobre a qual ainda não posso revelar nada. O melhor é ficarem atentos à página oficial, em videogameslivept.com. Uma coisa posso garantir: haverá algo para todo o tipo de públicos. O Video Games Live é um evento para toda a família, para pais e filhos, namorados e namoradas e grupos de amigos. E é tudo GRATUITO.
 
 
- A Playstation é um dos principais apoiantes do espectáculo. Está prevista também a presença de alguma representação da Microsoft-Xbox ou da Nintendo-Concentra?

A Xbox e a Nintendo vão estar representadas no próprio concerto, graças à interpretação de temas de clássicos como Zelda, Halo, Mario, etc.  

- Quantos visitantes espera a organização receber?

Esperamos ter cerca de nove mil pessoas nos dois concertos, mas no evento em torno da Praça de Touros contamos ter pelo menos 20 mil visitantes.

- Como tem corrido a venda de bilhetes até o momento?

Estão a correr a bom ritmo e quase todos vendidos graças ao boca a boca, o que demonstra a paixão despertada pelo evento. Só agora vai começar uma campanha massiva de comunicação que, naturalmente, vai fazer disparar as vendas. Curiosamente, há muitos bilhetes vendidos a jogadores da Espanha, Inglaterra, França, Itália, Alemanha. A conclusão é que o espectáculo é suficientemente marcante para fazer com que várias pessoas o queiram acompanhar em vários países. Para além de que, como disse, em 2008 o Video Games Live só passa por cinco cidades europeias.
 
- A Mandrake espera fazer este espectáculo todos os anos ou este será o ultimo?

Dependerá sempre da adesão do público a ESTE Video Games Live. Cabe aos jogadores portugueses ir às urnas e votar a favor, que é como quem diz, é a presença deles no Campo Pequeno, dias 6 e 7 de Dezembro, que vai decidir se vale ou não a pena meter Portugal no mapa dos videojogos. Posto isto, acredito que o Video Games Live voltará a Portugal em 2009, de preferência em mais cidades.

 
- Para aqueles que estão mais indecisos, uma palavra final...


Não é preciso dizer muito: NUNCA houve nada como o Video Games Live em Portugal. É simplesmente obrigatório para qualquer pessoa que se afirme apaixonada por videojogos, ou simplesmente jogador ocasional. O Video Games Live seria sempre um espectáculo de qualidade mesmo sem os jogos, porque a música é MESMO assim tão boa. Mas a verdade é que é uma celebração da cultura e da arte deste nosso meio de entretenimento. Se lhe juntarmos as actividades gratuitas em torno da Praça de Toiros, temos um espectáculo único e inesquecível que é bom para todos: os filhos podem mostrar aos pais o valor cultural dos videojogos; os pais podem perceber melhor a paixão dos filhos, partilhar com eles essa paixão e, quem sabe até, recordar clássicos da sua juventude. É um grande concerto para ver com amigos e namorados(as), tal qual outros grandes concertos que passam por Portugal. É uma oportunidade de convívio. É uma oportunidadade de fazer com que os jogos tenham a importância que merecem em Portugal e de convencer mais eventos e apresentações internacionais a virem a Portugal. Na verdade, o que há para não gostar no Video Games Live?


 
Video Games Live Behind the Scenes

 
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