
Com muito pouco tempo de actividade, a Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos tem já muito trabalho entre mãos. Sempre com base na posição de Portugal no panorama de videojogos, contactámos com Nelson Zagalo, o Presidente da SPCV no intuito de perceber um pouco da actuação desta entidade e perceber um pouco mais como se articula não só no seu âmbito académico mas também na vertente comercial dos videojogos.
TakeitGame: A Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos é um organismo recente. Como surgiu, quem está por detrás e quais os objectivos gerais?
TG: Quem pode ser membro e qual a meta, em termos de números de membros para Março de 2010, altura do primeiro aniversário da SPCV?
NZ: Todas as pessoas podem ser membros, desde que tenham interesse pela área. A meta não foi delineada contudo eu diria que no final de um ano poderíamos andar pelos 100 a 150 membros.
TG: A associação tenciona articular-se e estabelecer relações com outras entidades internacionais?
NZ: Já iniciou essas relações com a congénere brasileira a SBGames e em Portugal com o GPCG. O relacionamento com o Brasil é ainda muito desigual os nossos colegas no Brasil têm todo um potencial industrial mais desenvolvido e por conseguinte as universidades já se adaptaram a isso. Mas esperemos que esta parceria venha a trazer retornos em breve.
TG: A referência bibliográfica em português no sector dos videojogos é escassa, sobretudo a nível científico. A SPCV trará uma melhoria a este aspecto?
NZ: Trará no sentido em que ao sustentar o decorrer de um evento nacional todos os anos na área isso potenciará a escrita na nossa língua que em breve esperamos poder vir a traduzir-se em mais obras publicadas.
TG: Portugal tem condições académicas e de mercado de trabalho para uma licenciatura na área dos videojogos?
NZ: É uma questão complexa, até porque já temos duas propostas a abrir este ano.
TG: Qual a área cientifica dos videojogos em que Portugal deve apostar mais? (estudo, programação e design)
NZ: Diria todas, contudo por ordem de potencial: design, programação e teoria. No caso do design pode haver um traço base da criatividade e originalidade portuguesas, já do lado da programação as forças medem-se mesmo pelo intelecto bruto e na competitividade ao nível dos custos.
TG: Em alguns países, os videojogos já atingiram um valor cultural. Os videojogos têm valor cultural? E artístico?
NZ: Sim, sobre isso já não existem quaisquer dúvidas actualmente. Os videojogos fazem já parte da nossa cultura, são indissociáveis de muitas das referencias ao nosso quotidiano e no futuro quem olhar para trás terá uma visão muito mais clara do impacto que teve esta nova forma de comunicar e fazer arte nas nossas vidas no inicio do séc. XXI.
TG: A indústria nacional tem pautado pela criação de jogos casuais de computador, estando a dar os primeiros passos nas consolas de nova geração. Qual a relação que a SPCV pretende ter com empresas como a Seed Studios, Real Time Solutions, etc.?
NZ: A relação é de grande proximidade e em ambos os sentidos. Ou seja trazer as empresas a participar em workshops de desenvolvimento jogos nas Universidades, participar em conferencias com material de interesse académico, mas também comercial e até industrial. E por outro lado enviar os nossos alunos para estagiar nessas empresas.
TG: Existe capacidade competitiva no mercado português? O estado actual da indústria nacional tem condições para vender os seus jogos no estrangeiro?
NZ: Temos capacidade na área acima referida, dos casual games. Nas outras temos de investir mais, não podemos apenas esperar que duas empresas com 2 ou 3 anos de mercado possa competir em pé de igualdade com grandes multinacionais.
TG: Uma pergunta pessoal. Quais os seus videojogos favoritos?
Um muito obrigado, Nelson Zagalo!
A saber:
Site oficial da SPCVideojogos



