O mais comum é ver as apelidadas lans, onde pessoas jogam, preocupam-se com o jogo, falam da forma como se joga e pensam numa melhor forma de jogar e ser dos melhores. Os que não são participantes activos, os que vêem, visualizam os jogadores a jogar. O exemplo máximo deste tipo de eventos tem sido a XL Party que, ocasionalmente tem levado milhares de pessoas um pouco pelo paÃs fora a jogar em rede.
Depois, surgiu em 2008 um evento que já trazia um portfólio interessante de visitantes pelos paÃses que passara. O Videogames Live trouxe, pela primeira vez, a cultura no jovem jogador de pagar para ver um espectáculo cultural. Nesse aspecto, e numa perspectiva pessoal, trouxe-me algum ânimo, sabendo nós que grande parte deste público não lê um livro por ano, não vê uma peça de ópera na vida e é averso à música clássica e/ou orquestral. Se os videojogos poderão ser o incentivo para que esta barreira se quebre, que o seja e ainda bem que o é, no entanto, para o evento em si, a música orquestral não serve para tapar o grande buraco de substância de um evento.
Ora, o porquê de uma crescente preocupação nacional em mostrar o valor cientÃfico e cultural por detrás dos videojogos em detrimento dos eventos de massas, vistosos mas ocos em conteúdo? Em primeiro lugar porque o público dos videojogos está a mudar a olhos vistos, sendo que há já um público maduro e culto com interesse na área e é para esses que os eventos culturais estão vocacionados. Em segundo, porque começam a surgir entidades com incidência e interesse em divulgar os videojogos enquanto arte e com potencial para ser explorado nas diferentes vertentes de programação, design e estudo.
A maior entidade com esse trabalho em Portugal é a Sociedade Portuguesa de Ciências dos Videojogos que foi formada no passado mês de Março mas já com um evento organizado antes da sua constituição: o ZON Digital Games 2008. Nele foram abordados temas como os impactos e cognição; design; modelos e narrativa e educação nos videojogos. No final do presente mês de Novembro chegará a Conferência Videojogos2009 e podem contar com o seguinte:
- 2 oradores convidados;
- 22 full paper
- 16 work in progress
- 2 short papers
- 8 demos de jogos
Esteban Walter Gonzalez Clua apresentará Os 10 maiores desafios para a computação no desenvolvimento de videogames para os próximos anos, Lynn Rosalina Gama Alves fará uma abordagem à relação entre jogos e o aspecto educativo com a palestra Games e educação - abrindo a caixa de Pandora. Estes serão os discursos mais aguardados, por entre alguns conceitos de Videojogos e práticas desportivas, de Realismo estético e videogames, passando por O Futuro dos Jogos DistribuÃdos, etc. O programa é extenso e antevê dois dias de convergência de estudantes, professores e interessados pelos videojogos, na vertente académica.
Não só por palestras se ficará o evento, pelo que há já outra vertente a ser explorada em eventos deste género. As referências bibliográficas dedicadas aos videojogos são ainda escassas e as escritas em português são mesmo raras. Ciente disso, Nelson Zagalo irá ver o seu livro ser lançado no Videojogos2009.
Emoções Interactivas, do Cinema para os Videojogos teve por base, segundo informações retiradas do site oficial, um "trabalho de investigação que deu origem a este livro teve dois objectivos centrais: apontar hipóteses sobre a origem dos problemas de criação e desenvolvimento emocional em plataformas de entretenimento interactivo; e, na sequência da comprovação dessas hipóteses, apontar possÃveis soluções. Nesse sentido este trabalho assume relevância na discussão centrada sobre o design de estÃmulos de emoção para videojogos". O livro estará à venda, pela primeira vez, no dia 26 de Novembro, durante o evento.
Aveiro tornar-se-á testemunha de uma reunião de uma comunidade com uma nova visão sobre os videojogos, num encontro que promete uma discussão aberta sobre algumas vertentes potenciadoras e emergentes, bem como uma reflexão sobre o que ainda falta percorrer para que este sector cresça mais saudável e potencie a criação de novas estruturas à sua volta. Longe do histerismo e triunfalismo galopante, Videojogos2009 promete dois dias estupendos e um convite a quem os videojogos são muito mais do que uma tarde passada em frente à televisão.
Fiquem com um pouco do que se pretende abordar neste trabalho:




