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A História dos Videojogos #1: "Os pais esquecidos e os primeiros passos da indústria"

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Reflectir sobre este medium digital requer um esforço maior do que aquele que seria de pressupor de um objecto cultural, tantas vezes associado a brincadeiras infantis. A história dos videojogos não se esboça apenas na enumeração de datas e factos desintegrados, antes é constituída por companhias, umas que floresceram e cedo desapareceram, outras que tardaram a entrar, e ainda continuam a vingar; pelas tecnologias em constante evolução que possibilitaram àquelas a concretização das suas máquinas de sonho; com as ironias e intrigas indissociáveis de qualquer indústria de sucesso; e, por fim, pelo elemento vital a todos estes acontecimentos, as pessoas.

A Atari é uma companhia americana com um nome japonês, enquanto a companhia japonesa Sega foi fundada por americanos; Magnavox, a empresa que introduziu os videojogos nos lares, é detida pela Philips, que já conta com mais de cem anos de existência, todavia, a Nintendo que, em determinada altura, trouxe de novo a popularidade dos videojogos, é igualmente antiga. E quem poderia adivinhar que a Sony, que inventou a maior parte dos aparelhos electrónicos, desde os rádios transístores, até aos videogravadores, lançaria uma consola capaz de se tornar o seu produto mais vendido de todos os tempos?
 
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O mundo dos videojogos continua a evoluir. Ao conhecermos o seu passado, estaremos aptos a melhor vislumbrar o seu futuro.

No limiar do século XIX, Fusajiro Yamauchi, um japonês sediado em Quioto, criou a Marufuku Koppai, que fabricava e distribuía as cartas de jogo Hanafuda. Mais tarde, durante a primeira década do século XX, a Marufuku expande o seu negócio para o ocidente, onde em 1951 altera o seu nome para Nintendo Koppai, cujo primeiro nome significa “deixar a sorte ao céu”.

Também no final do século XIX, Gerard Philips formou, na Holanda, uma companhia que se especializou na produção de lâmpadas incandescentes, assim como em outros produtos eléctricos.

Martin Bromely, Irving Bromberg, e James Humpert fundam, em 1940, a Standard Games, em Honolulu, no Havai, tendo em vista o divertimento das bases militares americanas espalhadas pelo Pacífico, criando máquinas de jogo mecânicas operadas a moedas, que cedo granjearam considerável popularidade. Mais tarde, em 1954 David Rosen, um veterano da Guerra da Coreia, ao aperceber-se da popularidade que tais jogos mecânicos possuíam nas bases militares decidiu-se a exportá-los, fundindo a sua companhia, a Rosen Enterprises, com a SErvice GAmes, nome atribuído à Standard Games aquando da sua deslocação, em 1952, para o Japão, e criando assim a Sega Enterprises.

Em 1947, a Tokyo Telecommunications Engineering Company é criada por Akio Morita e Masaru Ibuka, e torna-se a primeira companhia estrangeira a possuir uma licença por parte dos Laboratórios Bell para produzir transístores. O seu rádio a bateria torna-se o primeiro no mundo a ser fabricado em formato de bolso, sendo um enorme sucesso no Japão. Tendo pretensões de internacionalizar o seu negócio, Morita e Hibuka aperceberam-se que a simples tradução do nome da companhia para o inglês resultaria num nome demasiado comprido e pouco apelativo, decidindo-se por alterar a palavra latina sonus (que significa som) para Sony.

O ano de 1951 ficou marcado na história dos videojogos com a conceptualização daquela que seria a primeira máquina de videojogos de todos os tempos. Ao jovem engenheiro Ralph Baer, que devido à sua condição de judeu na Alemanha nazi, teve que refugiar-se na América, foi-lhe incumbida a construção de um televisor que pudesse-se destacar de todos os demais. Para Baer, esta missão tornou-se bastante motivante, quando pensou na possibilidade de incorporar algum mecanismo de jogo no set televisivo. Porém, os seus superiores aniquilaram o projecto, e a ideia original de um jogo corrido em ambiente digital acabou por ser partilhada por outras personalidades.

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Como tudo aquilo que ambiciona ser revolucionário passa sempre por uma fase de experimentação onde vários protótipos são testados e onde nem todos chegam a ser devidamente documentados, também a indicação daquele que foi o primeiro jogo a ser desenvolvido através da tecnologia computacional levanta muitas incertezas.


 

Comentários 

0 # lsousa 30-06-2009 09:47
Muito bom o artigo. Parabéns ao Tiago!
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0 # Emanuel 30-06-2009 21:57
Também gostei muito :cheer:
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