Quarta, 18 Março 2009 23:12
PT Lyon
Artigos
Desde que surgiu a notÃcia de que mais uma vez, um jovem alemão tinha levado uma arma para a escola e começado aos tiros a toda a gente, tenho estado algo atento à s notÃcias, à espera que relacionassem mais esta tragédia com os videojogos. Porém, nas primeiras horas e dias tal não sucedeu.
O único elo de ligação estava numa entrevista de um amigo, que dizia que ele tinha jogado Counter Strike, e até tinha jeito. Nada de mais, nem os jornalistas mais mesquinhos poderiam pegar nisso. Até porque, digamos que 90% dos rapazes daquela idade já alguma vez jogaram Counter Strike.
Passado vários dias, como se descreve o jovem?
"Era um fanático por armas e nos últimos meses ficou viciado em Splinter Cell, um jogo de computador no qual o objectivo é matar pessoas" (Diário de NotÃcias).
Passando à frente do pormenor de ficar meses viciado num jogo como Splinter Cell, algo no mÃnimo estranho, já falam do jovem como se fosse alguém que vivia para jogar videojogos, sugerindo sempre a influência que estes possam ter tido na tragédia. Temos ainda referências várias a jogos como CounterStrike e FarCry 2.
Hoje, no telejornal de um dos três canais nacionais passaram uma peça sobre uma cadeia de armazens alemã que decidiu deixar de vender videojogos violentos (ver link em baixo), descrevendo mais uma vez o jovem como
um viciado em videojogos.
Os jogos de computador violentos e filmes de terror eram um dos passatempos predilectos do jovem homicida de 17 anos, de acordo com a polÃcia. Na noite anterior ao massacre, Tim Kretschmer passou algumas horas no computador, entregue a um desses jogos, revelaram as autoridades (DÃário Digital).
Porque é que existe esta tendência para culpar directa ou indirectamente os videojogos de tudo o que de mau acontece? Normalmente nem ligo muito pois quem fala do assunto raramente sabe do que está a falar, mas este caso é especial pois passa-se na Alemanha, paÃs esse que tem liderado o lobby a favor da legislação apertada quanto aos videojogos violentos. E obviamente, gostariam de ver a União Europeia com regras tão "pedagógicas" quanto as deles.
Inclusivamente na Alemanha
já se tentou punir com pena de prisão até um ano quem crie, distribua e jogue videojogos com "violência cruel sobre humanos ou personagens parecidas com humanos".
Normalmente os jogos violentos têm grandes dificuldades em entrar no mercado, tanto que são por vezes as próprias editoras que por sua vontade não disponibilizam o jogo nesse paÃs.
Sendo um dos paÃses com legislação mais apertada quanto aos videojogos, será que isso tem dado algum resultado? Eu cá continuo a contar os tiroteios nas escolas alemãs ao longo dos anos...
Mas para todos os que escrevem sobre o assunto, e principalmente para aqueles legislam sobre o assunto, aqui fica uma carta que poderia muito bem ser assinada por 90% dos jovens em idade escolar, sobre o quotidiano habitual nos dias de hoje:
Â
Sou português, tenho 13-23 anos. Já tive desgostos de amor. A escola podia estar a correr melhor mas vai andado. A famÃlia não é perfeita mas é a minha. Um dos meus hobbies é jogar videojogos. Ontem, passei muitas horas a jogar com amigos meus, e andámos a matar-nos uns aos outros através de um jogo. Até competiamos para ver quem matava mais, e quem dava mais tiros na cabeça (matam logo) dos outros. No outro dia experimentámos um onde o mais divertido era serrar os inimigos ao meio. Mas os nossos jogos de guerra favoritos são os que nos fazem reviver os momentos mais negros da 2º Guerra Mundial. Quando estou sozinho também gosto de jogar GTA, roubar pessoas e carros, e matar para subir na vida como criminoso...
E no entanto. amanha quando acordar, NÂO vou andar aos tiros na escola, NÂO vou roubar ninguém, NÂO vou matar ninguém.