

Mas nos anos finais desse mesmo período os jogos de luta sofreram uma quebra de vendas e principalmente de popularidade. Jogos como Street Fighter EX ou Street Fighter 3 mesmo com visuais renovados, não conseguiram ter o mesmo impacto que o seu antecessor. Virtua Fighter 3 não conseguiu acompanhar a geração de consolas na mesma altura em que surgiu nas arcadas e o atraso levou a que o impacto na Dreamcast fosse menor. Os esforços da SNK em lançar vários jogos de luta como The Last Blade ou Fatal Fury: Mark of the Wolves, não conseguiram salvar a empresa de fechar portas no inicio do novo milénio. Outras produtoras apontaram a complexidade e especialização deste género como fruto do seu declínio. Enquanto isso as máquinas arcade tornavam-se cada vez menos rentáveis devido à crescente popularidade e tecnologia das consolas caseiras.
Mesmo assim as séries que se conseguiram manter, continuaram a especializar-se e a elevar a sua qualidade. A Namco conseguiu manter a popularidade de Tekken em alta com o lançamento de Tekken 3 na Playstation e mais tarde com a revitalização da série SoulBlade (também conhecida como SoulEdge) para o inovador Soulcalibur. A isto juntaram-se os populares cross-overs que ganharam grande destaque graças a Marvel vs Capcom, e assim arrebatou não só os fãs dos jogos Capcom mas também os leitores assiduos da banda desenhada dos heróis Marvel. Em 2000 Capcom vs. SNK conseguiu conquistar muitos jogadores e ajudou a que a SNK conseguisse reerguer-se de novo em 2003 como SNK Playmore. A série Guilty Gear ganhou também mais adeptos graças aos gráficos inovadores de Guilty Gear X. E assim a pouco e pouco o espírito de "jogador-lutador" voltou a nascer.
A actual geração de consolas começou lentamente a receber jogos de luta como Dead or Alive 4 e Virtua fighter 5, mas parece que os anos de 2008 e 2009 foram derradeiros festivais de pancadaria. Depois de Soulcalibur 4, Mortal Kombat vs. DC Universe e até Super Smash Bros Brawl entre outros menos conhecidos chegou a vez de 2009 mostrar o que vale.
Vejamos o que este ano tem para nos dar e o que já nos deu:

O clássico renasceu. A Capcom sabe como reciclar os seus jogos de culto. Marvel vs Capcom 2 foi mais que uma reedição, foi o pedido de milhares de fãs (especialmente os jogadores norte-americanos) que estiveram firmes das suas convicções e levantaram os estandartes exigindo que o jogo fosse lançado nesta geração. Se não existiu um terceiro capitulo foi porque este ainda tem muito para dar. Sendo talvez o cross-over mais popular da Capcom, estas 56 personagens vêm de tantos universos que se perde a conta. Mantendo o sistema clássico de 3 botões e ataques especiais explosivos com duas ou três personagens em simultâneo. Reeditado milhentas vezes, MvC2 chegou ao XBLA e PSN por mais ou menos 12€. Trouxe consigo a possibilidade de escolher alguns filtros para os sprites, widescreen e menus renovados. O que torna isto mais interessante é a objectividade da Capcom. Este jogo foi feito para ser jogado online, onde temos lobbies multi jogador, podendo assistir a combates enquanto se espera e nem sequer temos personagens para desbloquear, todas elas podem ser acedidas de inicio, prontas a entrar na competição. Alguém vai querer jogar sozinho? Será que um jogo pode resistir ao tempo e ter mais sucesso que as estrelas da actualidade?
Foi em 2007 que os jogadores japoneses puderam entrar pela sexta vez no King of Iron Fist Tournament, nas arcadas espalhadas por todo o Japão. Tekken 6 viria em 2008 a receber um update com o subtítulo Bloodline Rebellion e é esse mesmo que será lançado na PS3 e Xbox360 já neste Inverno. Katsuhiro Harada, afirmou que todos os grandes trunfos de Tekken 5 foram mantidos (ou seja aquilo que os fãs gostaram) e foram acrescentados novos conceitos. Um deles é o "Rage System", que dá às personagens mais força quando a sua energia estiver num nível critico. Os cenários e personalização das personagens será também mais interactivo. Tekken é provavelmente o jogo de luta onde a historia tem realmente um destaque importante. Sem querer revelar muito do que ai vem, aparentemente, Jin Kazama depois de ter ganho o torneio anterior, assumiu o controlo da Mishima Zaibatsu e agora tem intenções malévolas, inclusive declarando guerra a várias nações. Enquanto isso Kazuya Mishima, que controla secretamente a G Corporation, coloca uma recompensa em aberto a quem conseguir capturar Jin e este responde iniciando um novo King of Iron Fist Tournament e assim ter a oportunidade de enfrentar Kazuya. A guerra anterior entre pai e filho de Heihachi e Kazuya passa agora para uma batalha entre duas corporações comandadas precisamente pelos descendentes de Heihachi e de novo coloca pai e filho frente a frente. O jogo adiciona seis personagens novas e muitas outras dos jogos anteriores num total de 42 personagens jogáveis, o maior rooster da série. Este é talvez o único fighter deste ano a desenrolar-se numa arena de combate com movimentação a três dimensões. Será que não vai existir concorrência para ele? ou será que a jogabilidade 2D dos seus rivais se vai sobrepor?
A Capcom já tem por habito, de vez em quando, andar à porrada com uma outra produtora. Mas este jogo que saiu no Japão em 2008 supreendeu tudo e todos. Tatsunoko é um estúdio de animação dos anos 60 com personagens vindas de animações que marcaram gerações inteiras, como Gatchaman, Neon Genesis Evangelion, Speed Racer, Samurai Pizza Cats entre muitos outros. Nunca se imaginaria que uma produtora de anime fosse convidada para entrar em confronto directo com uma produtora de videojogos. O resultado foi triunfante. Tatsunoko vs. Capcom: Cross Generation of Heroes revelou imensa qualidade, com combates de 2 contra 2, visuais espectaculares, imensas personagens novas e uma jogabilidade perfeita e equilibrada. O resto do mundo temeu que devido ás licenças o jogo não chegasse a todas as regiões, mas este ano a Capcom revelou que em Novembro o continente norte-americano terá direito a Tatsunoko vs. Capcom: Ultimate All Stars, onde serão adicionadas personagens, musicas e modo online, entre outras surpresas. Como jogo de luta este é uma das propostas mais completas, pois integra uma variedade de modos aceitável, com mini-jogos incluídos, sequências de animação e um modo online onde se colocam bastantes esperanças pois a Capcom e a 8ing estão a criar tudo de raiz. O jogo não tem qualquer tipo de anuncio quanto a lançamento para a Europa, isso envolveria novo trabalho de licenciamento e certamente levará algum tempo até que aconteça, mas chegar ao ocidente é desde já uma vitoria. O cross-over revolucionário é exclusivo Wii, terá audiência suficiente para vingar? Será que a Tatsunoko consegue conquistar fãs fora do seu país de origem?
A Arc System Works resolveu dar algum descanso à sua famosa franchise Guilty Gear e aproveitou para criar uma nova série. BlazBlue: Calamity Trigger tem uma base de jogo semelhante a Guilty Gear, com gráficos 2D brilhantes, combos rápidos, acção frenética, imensos efeitos visuais e personagens arrojadas. Quem experimentou jogar com Sol Badguy não vai estranhar jogar com Ragna the Bloodedge, pois mesmo com ataques diferentes a profundidade do sistema de combate garante um desafio constante e semelhante. Mesmo com um elenco de personagens algo reduzido, o jogo está bastante equilibrado e conta com um bom modo online. O único senão é o jogo ainda não ter confirmação para ser lançado na Europa, estando já disponível desde final de Junho nos EUA. Resta esperar que o anuncio de lançamento chegue em breve. Aqui tudo é novidade, será suficiente para triunfar?
É verdade que o jogo já está disponível desde Fevereiro deste ano, mas seria inevitável mencionar StreetFighter 4. Indiscutivelmente um dos fighters que mais surpreendeu em todos os aspectos. Independentemente de alguma desequilibro em certas personagens o jogo apresenta o sistema de combate clássico com algumas adições. O Focus Attack, que permite receber o ataque adversário e contra atacar automaticamente, e o Ultra Combo para soltar ataques devastadores e que podem mesmo mudar o rumo de um combate. O cast de personagens é excelente, com personagens novas e grande parte dos clássicos que ninguém esqueceu. Uma direcção artística renovada, sequências em anime e multiplayer online que garante horas de diversão Embora tenha poucos extras, de momento StreetFighter 4 é o jogo de luta do ano. A concorrência está presente mas será suficientemente forte para destronar o rei dos beat`em ups?






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