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Análise: The Elder Scrolls V: Skyrim

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skyrim_topo

Mais do que um mero jogo, Skyrim é um mundo vivo que o jogador tem o prazer e a oportunidade de conhecer, entrar nele, e partir à aventura pelo desconhecido. Tal como alguns - não muitos - notáveis escritores conseguem fazer com os seus romances, Skyrim é uma obra prima que puxa o leitor (jogador) para o mundo de fantasia que nos é oferecido, fazendo-o mergulhar nele a fundo, e devorar cada capítulo da história. A interactividade dos videojogos vem potenciar e de que maneira este efeito, em diversos aspectos. O primeiro dos quais será a escala. Seriam precisos incontáveis e grossos volumes para contar por escrito uma aventura de um jogador em Skyrim. E quantas aventuras pode haver, e todas diferentes... Outro aspecto será portanto individualidade da aventura de cada jogador, já que dentro do mesmo jogo, as coisas podem passar-se de maneiras muito diferentes, a personagem ser trabalhada de modo único, ou percorrer o seu caminho de uma nova forma, por cada pessoa que jogue, e por cada vez que jogue. Assim o permite o sistema de mundo aberto, que dá total liberdade ao jogador de fazer o que bem lhe apetecer (um terceiro aspecto).

Mas em nada disto Skyrim inova. Já vimos isto em muitos jogos anteriormente, e certamente não é Skyrim que nos ensinará as diferenças entre um livro e um jogo. Skyrim brilha sim na profundidade e no nível de qualidade que consegue atingir nestes pressupostos já por nós conhecidos, formando uma aventura tão imensa e grandiosa, que a mera palavra aventura parece não fazer justiça à aventura que é.

skyrim_paisagem1

O mundo de Skyrim parece ter vida, para além e independentemente da acção do jogador. Claro que por «coincidência», digamos, muitos dos eventos mais importantes são despoletados assim que o jogador chega ao local em que decorrem. Nem queríamos que fosse de outra maneira, mas até este facto parece contribuir para a percepção de que tudo está a acontecer em Skyrim precisamente no momento em que o visitamos, e não porque visitamos. O jogador sente-se inserido num mundo com vida própria, no qual é apenas uma «formiga», um espectador privilegiado mas até certo ponto impotente, por ser apenas mais uma pessoa no mundo. Talvez não seja bem assim, descobriremos mais tarde.

Estamos na província que dá nome ao jogo, Skyrim, na região de Tamriel. Passaram-se 200 anos desde que visitámos Tamriel pela última vez, em The Elder Scrolls IV: Oblivion, um jogo que lançou definitivamente a séria na nova geração de consolas. A altura poderá não ser a mais conveniente para visitar a região, que é grassada por uma guerra civil que opõe um debilitado e menos prestigiado Império (o mesmo de Oblivion, e por comparação ao que era na altura) a rebeldes responsáveis pela morte do imperador que procuram restaurar o Império tal como este era dantes, já que em virtude de uma guerra anterior e respectivo pacto de paz, o Império perdeu parte do território, e mais importante, a liberdade religiosa, de venerar Thalos. E para piorar a situação, depressa descobrimos que os dragões estão de volta à região, eles que se julgavam extintos, mas que segundo uma antiga profecia, voltariam para acabar com o mundo. Com o primeiro dragão, que aparece nos primeiros minutos de jogo, também descobrimos que possuímos uma relação especial com estes míticos animais. Possuímos a capacidade de falar a língua dos dragões e podemos absorver as suas almas, pelo que somos um «Dragonborn», ou em linguagem de dragão, um "Dovahkiin". A língua dos dragões não é uma língua qualquer, as palavras que a compõem são muito poderosas, e o domínio da língua dar-nos-à diferentes poderes ao longo do jogo, que serão potenciados pela absorção de almas de dragões que matarmos.

Skyrim é um mundo aberto, pelo que o jogador é livre de decidir os locais que visita primeiro, e quais as missões (quests) que quer fazer, pela ordem que quer fazer. Nada nos obriga a avançar na missão principal - aquela que faz avançar a história do jogo - se preferirmos explorar e fazermos as incontáveis missões laterais e secundárias que existem, espalhadas por todo o jogo, com os mais diferentes objectivos e conteúdos. É possível ter várias dezenas ou centenas de horas de jogo, sem que tenhamos ido muito longe na missão principal. Skyrim é uma região imensa, com várias cidades e muitos «ajuntamentos» para explorar, e centenas de personagens não-jogáveis para conhecer. São estas personagens que nos dão missões para realizar, e algumas delas não pouco complicadas, mas que quase sempre de alguma maneira estão relacionadas com a missão principal, ou com o que está a acontecer em Skyrim ou na respectiva cidade. Por vezes nem damos conta que estamos a cumprir estas "quests" - enquanto conceito inerente ao desenvolvimento da personagem em qualquer RPG - mas sim a deixar-nos ir pela história e a seguir os acontecimentos. A maior parte das personagens que mais interagem connosco está bem trabalhada, têm uma história por trás que passamos a conhecer e que contextualiza e credibiliza a personagem e a própria missão. Claro que não faltam as missões de «limpa esta caverna», ou «derrota aqueles bandidos» com um grau inferior de detalhe, mas até essas são referidas e agrupadas como «missões variadas», o que nos permite ter uma boa noção do tipo de missão que temos para fazer, e qual queremos fazer em cada momento. Tal como em Oblivion, é possível juntarmo-nos a diversas facções, que têm missões próprias para cumprir, e também obtém certas vantagens para os seus membros.

skyrim_mamutes

A paisagem é variada, mas mais montanhosa e com um pouco menos de cor que Oblivion. Skyrim tem um clima mais rigoroso, a neve veste de branco os topos das montanhas mais altas, mas mantém uma boa variedade de paisagens entre as várias partes do mapa. Um princípio muito interessante foi aplicado pelos produtores do jogo: tudo o que é visível aos olhos do personagem, pode ser visitado. Assim, não existem cenários de fundo só para fazer paisagem. Se estão lá, podemos deslocar-nos até eles. Alguns, no entanto, requerem que nos desloquemos a cavalo, pois o cavalo consegue subir montanhas que a pé não são possíveis de «escalar», tal é a inclinação. Também é possível deslocarmo-nos rapidamente (fast-travel) para sítios que já tenhamos ido anteriormente. Para os sítios que nunca visitámos, ou vamos a pé/de cavalo, ou podemos apanhar uma carruagem, que por determinado preço, nos levará ao destino desejado.

A vida selvagem anima os cenários fora das cidades, bem como os ocasionais assaltantes que se escondem em sítios mais recônditos, para apanhar os mais desprevenidos. Mamutes e gigantes, geralmente juntos, são também uma presença fácil de encontrar, com a qual vale a pena pensar duas vezes antes de arranjar problemas.
Dentro das cidades, as tavernas são o ponto de encontro e principal animação, principalmente ao fim do dia e noite, quando já ninguém está a trabalhar. Nelas podemos encontrar boa parte das missões secundárias que nos permitem ganhar algum dinheiro, conseguir informações, ou saber os últimos rumores da cidade. E claro, comer, beber, e até ouvir música ao vivo, ainda que o reportório dos «artistas» seja algo limitado.
Para além das cidades, que não são muito grandes, há espalhados por todo o território pequenas aldeias, ajuntamentos, quintas, ruínas, antigos monumentos e fortes, entre outros, que temos o prazer de ir descobrindo ao desbravarmos território desconhecido.

O desenvolvimento da personagem é livre, isto é, não existem classes pré-definidas que predeterminem as características e habilidades de cada personagem. Ao início poderemos escolher a respectiva raça e aspecto físico, e aí sim existe alguma diferenciação uma vez que diferentes raças têm associados diferentes vantagens naturais. De resto, a evolução é feita através do melhoramento de dezoito capacidades do personagens, divididas entre as três áreas principais de magia, combate e stealth (acção furtiva). À medida que vamos evoluindo de nível, podemos investir nestas capacidades os pontos de experiência ganhos. Cada uma destas capacidades tem um esquema de bónus numa forma tipo árvore que permite desbloquear a raíz, digamos, e a partir daí escolher o caminho que mais nos interessar, já que cada bónus da árvore nos dará diferentes efeitos .

skyrim_combate


Além disso, podemos melhorar as capacidades de magia, vida e stamina, cada uma representada em três barras no fundo do ecrã, e que são usadas no combate com inimigos. A barra da vida recupera naturalmente, comendo (é incrível a capacidade que o personagem tem de «enfardar» comida, já que não existe limite para ingerir comida e são precisas grandes quantidades para conseguir um efeito relevante. Talvez um ponto a rever no jogo, já que em parte a alimentação de pouco serve), dormindo ou simplesmente esperando um pouco. A stamina recupera com comida e bebida, e tal como a magia e vida, também recupera com o tempo. Para melhorar ou recuperar estas capacidades podemos ainda contar com poções, que podemos criar usando ingredientes recolhidos por todo o cenário do jogo, ou encantar armas e equipamento, conseguindo assim dar-lhes determinados efeitos mágicos utilizando almas que recolhemos de animais e inimigos mortos, através de magia.

O combate em Skyrim é simples e intuitivo. A personagem tem duas mãos, e o jogador controla cada uma delas separadamente, com a sua respectiva mão no comando. São independentes, e podemos escolher livremente o que usar em cada uma delas. Talvez o escudo numa, e uma espada noutra, ou talvez uma espada em cada, ou porque não usar apenas magia? Um feitiço em cada mão, ou o mesmo em ambas para um efeito reforçado. Será boa ideia o jogador apostar num estilo definido de combate logo de início, de maneira a melhorá-lo com o tempo, evoluir as habilidades respectivas e tornar o seu combate mais eficiente ao longo do tempo. Contudo, ter uma estratégia de recurso também é uma boa ideia, pois diferentes adversários requerem diferentes abordagens.
Existe uma grande quantidade de armas e equipamentos, que podem ser comprados, roubados ou mesmo construídos por nós, desde que tenhamos os conhecimentos e material para tal. Ao contrário do que ocorria em Oblivion, as armas não se deterioram, pelo que não é necessário repará-las.


Graficamente Skyrim não brilha no pormenor, mas tendo em conta a escala gigantesca do jogo, nunca o poderia fazer, principalmente na versão para consolas. Ainda assim, houve lugar a um vasto melhoramento gráfico desde a última entrega, já nesta geração de consolas, em Oblivion. No geral, todos os cenários estão bem trabalhados, e são bastante variados. Dificilmente teremos a sensação de já ter estado num sítio que ainda não estivemos, pois dificilmente se confundem.

De nível notável é a sonoridade do jogo, principalmente no que toca à música. Os momentos de maior acção são acompanhados por música apropriada que estimula ainda mais todo o ambiente, e o tema principal é de cariz épico, daqueles que embora não entendamos a letra, faz-nos querer entrar imediatamente em Skyrim. Também facilmente poderão dar por vós a contar as músicas que ouvem nas tavernas.

O jogo sofreu de alguns erros (bugs) com o lançamento, que foram alvo de sucessivos patches de correcção nas semanas seguintes e continuam. Na nossa aventura na PlayStation 3 não encontrámos grandes bugs, ainda que tenhamos ficado presos sem nos conseguir mexer por algumas vezes, em determinados locais mais apertados. Uma ou outra quest ainda precisa de alguns retoques, mas nada que afecte o desenrolar da missão principal nem das mais importantes.

skyrim2

Tal como seria impossível contar toda uma aventura em Skyrim num pequeno livro, também é impossível cobrir exaustivamente todos os aspectos deste jogo numa análise. Skyrim transforma-se numa aventura majestosa, a guerra civil que decorre durante o jogo e os dragões terão um papel primordial na evolução da narrativa. Os dragões são de resto um dos trunfos de Skyrim. Quando a sua existência foi revelada antes do lançamento do jogo e apenas conhecendo Oblivion, dificilmente poderíamos imaginar tamanhas criaturas a esvoaçar nos céus e a atacar-nos do nada. Em Skyrim, ver projectada no chão uma grande sombra que passa rapidamente por debaixo de nós e segue em frente, é o primeiro alerta para olhar em direcção ao sol e ver tamanha criatura a esvoaçar lá no cimo, poderosa e impiedosa, ao mesmo tempo que do céu nos chegam os seus primeiros rugidos imponentes, e até que o dragão chegue perto de nós e o embate aconteça, ficamos com coração aos saltos, principalmente das primeiras vezes. O que é sintomático do magnífico trabalho realizado pela Bethesda, que nos entrega um dos melhores jogos desta geração.

 

skyrim_platina

 

Comentários 

0 # ntx1982 13-03-2012 14:12
Na minha opinião este é um jogo obrigatório! Uma historia rica, um mundo enorme cheio de variedade, um mundo vivo!! Estes são apenas um dos muitos factores que podem descrever Skyrim. Eu cá já perdi a conta as missões que fiz e não vejo maneira de acabarem, um jogo enorme sem dúvida alguma.

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