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Análise: Rage

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A Bethesda Softworks traz-nos um jogo ambicioso que pretende lutar contra uma concorrência feroz numa altura do ano complicada para novos IPs. Esta altura é usualmente utilizada para o lançamento de muitas sequelas de títulos com reputação criada o que dificulta a afirmação de jogos como Rage. Se isso não bastasse, a fasquia sobre este título está muito alta por ter de carregar a fama dos títulos anteriores da id Sofware: Quake e Doom.

Rage tem argumentos fortes com a tecnologia do novo motor de jogo a ser o principal trunfo, mas enfrenta uma das alturas mais competitivas do ano. Estamos perante mais um caso de obra de arte subvalorizada ou de mais um título banal?

Foi neste cenário adverso que jogámos Rage. A abordagem deste FPS é mais divertida e ficcional e separa-se de uma colheita de jogos mais centrada no estilo ‘simulador’ do género.

É num futuro recente e numa Terra fustigada pelo impacto do asteróide Apophis que tomamos o controlo do nosso personagem Nicholas Raine que acaba de sair como único sobrevivente da Ark, instalações subterrâneas utilizadas para proteger os habitantes mais importantes. Depois do destrutivo evento começaram a surgir mutantes, o que provocou a origem de vários clans e de algumas guerrilhas de sobreviventes. A Authority, regime governamental extremamente opressivo, tem um especial e misterioso interesse em nós cuja razão só nos é dada a conhecer numa fase mais avançada da história.

É neste ambiente hostil que teremos de explorar e desenvolver a nossa demanda. Rapidamente conhecemos Dan Hagar, que nos salva de um primeiro ataque inimigo, leva-nos para junto do seu grupo de sobreviventes e nos põe a par dos acontecimentos.

Mas a historia, um tanto ou quanto acessória, não é o forte de Rage. A jogabilidade e os gráficos são os verdadeiros protagonistas.

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Estamos perante um jogo amplo de grande qualidade visual, com enorme detalhe nas paisagens, maioritariamente rochosas, em que os elementos envolventes são quase todos diferentes sem que pareçam que foram repetidos num género de copy/paste de objectos, algo recorrente noutros jogos com ambientes abertos. O horizonte parece sempre longe o que dá uma sensação de amplitude considerável. As personagens têm o estilo pós apocalíptico e meio futurista esperado mas são originais, apresentam boas expressões faciais e uma boa coordenação oral quando interagem connosco.

O engine id Tech 5 mostra todas as suas capacidades mas deixa escapar uma evidência: não é tão esplendoroso numa consola como no PC. Na versão testada (PS3), existe um artefacto muito incómodo. Para onde quer que olhemos, as texturas demoram algumas fracções de segundo a carregar sendo notório um infeliz e frequente ‘pop-up’ da cor baça para as texturas finais dos objectos. Uma mancha na qualidade e no trabalho desenvolvido no ambiente amplo e diversificado do jogo. Sem querer parecer contraditório, Rage tem grandes gráficos e é visualmente sedutor, apenas peca neste pormenor que impede que o jogo esteja num patamar de excelência visual nas consolas e coloca-o apenas num patamar muito bom.

A jogabilidade é provavelmente o aspecto que fará com que experimentes este jogo. Apresenta-se num estilo que pode fazer lembrar sem muita dificuldade Fallout 3 mas com uma fusão entre o mecanismo de shooter fps e condução de veículos que nos promete uma experiencia bem diferente.

A exploração e deslocação em veículos surpreenderam-me. Está simples, intuitiva e não aborrece. Os grandes responsáveis são a sensação de velocidade que o boost dá combinada com as sequências de combate entre veículos. Podemos controlar desde Buggys a ATVs e é com alegria que vemos que a sensação de velocidade não compromete a qualidade gráfica, não provocando artefactos como as quebras de frames, arrastamentos de imagem nem aliasing. Apesar de recorrente para as nossas deslocações, a condução nunca se torna monótona. Para aumentar a componente divertida do jogo, acrescentaram um hilariante o grito ao nosso personagem quando nos estampamos de moto quatro a alta velocidade contra uma rocha ou parede.

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Quando estamos em espaço aberto, temos um pequeno mapa que nos indica para onde nos devemos deslocar, que rapidamente actualiza a rota mais curta para o objectivo, o que dá imenso jeito na orientação quando vamos ‘descontrolados’ e sempre a abrir sobre as 4 rodas.

Temos um grande e poderoso arsenal e um inventário completo. Serão muitas as escolhas que teremos nas mãos para desmembrar os nossos adversários. Uma das armas singulares que iremos adquirir logo no início é o Wingsticks, um boomerang muito útil que nos permite poupar munições e que decapita rapidamente os nossos inimigos. Para poupar munições é aconselhável utilizar também os ataques com os punhos quando só temos um ou dois inimigos, pois as balas em alguns pontos são escassas, o que eleva de forma positiva a dificuldade e nos faz lutar em vez de ‘passear’ ao longo do cenário. As armas têm upgrades e os outros itens podem ser apanhados dos cadáveres que jazem no cenário ou dos inimigos que matamos. Muitos destes itens que coleccionamos por vasculhar os corpos são dispensáveis e servirão apenas para vender.

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As missões são accionadas através da interacção com os personagens humanos que nos rodeiam, existindo também inúmeras side quests que podem ser declinadas por nós.

Outra interessante adição na jogabilidade é o mini-jogo com o desfibrilhador. Este é accionado quando estamos a morrer, e a nossa precisão com os manípulos e gatilhos determina a quantidade de vida que nos é reposta. Esta interacção evita que quando somos surpreendidos e estamos rodeados de fogo inimigo não aconteçam situações frustrantes de game over tão rapidamente e de forma tão frequente.

A IA dos inimigos é mais um aspecto refrescante. Eles atacam numa trajectória irregular tornando as suas investidas imprevisíveis e alvos difíceis de acertar. O armamento e agressividade dos nossos adversários vão aumentando consideravelmente ao longo da nossa aventura e diferem consoante o clan que enfrentamos.

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O casting de voz para as personagens está muito bem conseguido. Os diálogos constroem uma sonoplastia das melhores que já experimentei, com uma boa transmissão de sentimentos, mas carecem de linhas memoráveis e épicas. Pena não ouvirmos a voz do nosso protagonista. A banda sonora que nos acompanha é competente sem, mais uma vez, ser muito marcante.

No modo multijogador temos os modos: Combat Rally, arena com 4 jogadores que se enfrentam em combate de veículos; Mutant Bash Tv, arena com hordas de mutantes e Legends of the Wasteland, historias à parte mencionadas pelas personagens ao longo do jogo que podem ser jogadas em co-op.

A campanha pode demorar mais do que 10 horas dependendo da atenção que dermos às missões secundárias. Existe muito mais do que a storyline para fazer. Um dos exemplos é um mini-jogo de cartas designado por ‘RAGE Frenzin’ cujas cartas podem ser adquiridas em diferentes localidades. A grande longevidade do jogo será aumentada com os, já prometidos, futuros conteúdos adicionais que serão detalhados em breve.

Em suma, Rage é o género de jogo que pode facilmente passar ao lado de muitos gamers por ser lançado num espaço de tempo muito sobrecarregado de títulos de renome e aclamados criticamente, mas que deve ter especial atenção. Mesmo não sendo um título propriamente inovador, Rage soma aspectos positivos atrás de aspectos positivos e eleva o nível base de qualidade para os futuros jogos do mesmo género, pecando pela falta de momentos na historia realmente memoráveis e pela dificuldade de arrebatar visualmente nas consolas.

Dificilmente estará entre os nomeados para jogo do ano absoluto mas merece estar entre as escolhas na maioria das categorias secundárias. Não deixa de ser um jogo a não perder para os fãs do género FPS com elementos de RGP ocidental.

Passa no nosso exame com um honroso:

ClassificacaoRage

 

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