
Apesar de serem dois jogos do mesmo género, da mesma produtora first party nipónica dirigida por Fumito Ueda e de serem tÃtulos ‘espiritualmente' integrados numa série que terá como terceiro capÃtulo The Last Guardian, existem diferenças significativas nas experiências que proporcionam.
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Em Ico controlamos um jovem rapaz homónimo que é aprisionado numa masmorra rodeada por água à mercê de criaturas negras numa espécie de ritual tradicional de sacrifÃcio por ter nascido com chifres, o que é considerado pelos habitantes da vila como demonÃaco. Cedo Ico encontra uma outra criança enjaulada numa situação semelhante de nome Yorda, este decide ajudá-la e a partir daà procuram juntos uma saÃda de um destino doloroso.
Rapidamente encontramos um pau - uma primeira arma bastante humilde que nos coloca numa posição inferior e desfavorecida - com que usamos para atacar os inimigos, enquanto o jogo faz com que, no meio da nossa resolução de puzzles, andemos colados à nossa protegida porque se esta estiver longe de nós, por quase o mÃnimo tempo que seja, será muito facilmente levada pelas referidas criaturas que vão aparecendo em número gradualmente maior e com mais agressividade.

Ico tem a habilidade de transportar objectos e interagir com elementos como a água, fogo e luz, trepar e saltar para explorar o cenário de forma a resolver os puzzles que nos permitem avançar de área para área. Teremos de, por exemplo, atear fogo a um objecto e transportá-lo para o sÃtio correcto para que este possa interagir com o cenário de forma a resolver o enigma.
Yorda é bastante frágil e não pode saltar nem trepar, o que nos leva a pensar bem como a levar para um certo ponto do cenário e avançar no jogo. Iremos muitas vezes ter de levá-la pela mão para que avancemos mais rápido, sendo também possÃvel chamá-la para vir ter connosco.

Toda a exploração é acompanhada por uma banda sonora suave mas vincada e bastante enquadrada com os cenários medievais maioritariamente verdes e rochosos. Os diálogos são poucos, mesmo nas cut-scenes onde usam uma linguagem ficcional que mistura inglês arcaico e japonês. Esta pouca frequência de diálogo parece dar, de certo modo, mais ênfase à banda sonora e faz com que fiquemos mais isolados e concentrados em toda a ambientação e ‘mundo' que este jogo nos transporta.
Em suma, além dos ocasionais encontros com inimigos que proporcionam momentos de maior tensão, Ico é um jogo que tem como base a exploração e resolução de enigmas tendo muito presente o sentimento de afecto e dever em proteger a nossa companheira.

Em Shadow of the Colossus é a acção e o confronto que se tornam as palavras-chave e à semelhança de Ico, a banda sonora consegue potencializar a experiência sem recorrer a longos diálogos.
Tomamos agora o papel do jovem Wander que entra num templo de uma terra proibida para tentar ressuscitar uma adolescente Mono, sacrificada pelos aldeões por se ter julgado que esta estaria possuÃda por um destino amaldiçoado. Recorrendo ao espÃrito de Dormin - cujo mito indica ter tais poderes - e que repousa no referido templo Shrine of Worship, é nos indicado que primeiro teremos de derrotar 16 monstros de proporções gigantescas designados de Colossi, que estão espalhados pela terra proibida. Para executarmos esta magia proibida, contamos com o auxÃlio precioso de Agro, o nosso fiel cavalo que nos ajudará a percorrer as grandes distâncias que nos separam dos referidos monstros residentes.
Connosco temos uma espada especial que nos indicará a direcção de cada Colossi, que terá de ser abatido pela ordem representada por estátuas no templo. Podemos aumentar a nossa stamina e o nosso medidor de vida máxima comendo frutos e apanhando lagartos mágicos espelhados pelo vasto cenário.

Cada batalha com um Colossi é única e gradualmente complexa. Estas criaturas têm pontos fracos espalhados pelo corpo, e danificar estas partes é a única maneira de os derrotar. Esta particularidade promove a exploração enquanto estamos literalmente a trepar pelo corpo deles usando como meio de suspensão o próprio pêlo ou partes rochosas dos Colossi, sendo o consumo de stamina uma grande adversidade nestas batalhas.
A remasterização feita a estes dois tÃtulos trouxe um desempenho visual superior bastante notório quando comparado com os originais, onde passamos de ambientes maravilhosos com uma iluminação limitada pela geração de consolas anterior para cenários mais limpos e vistosos que fazem jus à habilidade artÃstica empregue nestes jogos.

Os quatro anos de desenvolvimento que separam Ico e Shadow of the Colossus não prejudicam a combinação harmoniosa desta colecção onde estão presentes caracterÃsticas que inspiram o presente e o futuro de toda a indústria dos videojogos.
Para além da opção de jogarmos em 3D e da inclusão de troféus existem ainda conteúdos de vÃdeo extra que mostram momentos conceptuais de desenvolvimento dos referidos jogos e do próximo The Last Guardian, conteúdos que nos presenteiam ainda com mais dois temas dinâmicos para o XMB.
Embora com simples e lineares abordagens, estes dois jogos trazem duas experiências únicas e uma beleza quase indescritÃvel. Estes clássicos são indispensáveis e quase obrigatórios em qualquer colecção de respeito. Ocupam assim com mérito a classificação de:
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