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Análise: God of War III

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Precisámos esperar três longos anos para ver Kratos entrar na nova geração. A série God of War teve a sua estreia na Playstation 2 e rapidamente conquistou o gostos de vários jogadores pela sua diferente abordagem ao género de aventura, tendo a série dois jogos lançados para a referida consola e um título para a PSP. Com o anúncio de God of War III para a consola de nova geração da Sony, o jogo ganhou uma expectativa elevada à qual teria de fazer jus ao sucesso e qualidade demonstrados nos anteriores títulos.

Pois bem, God of War III já está nas lojas e não defraudou expectativas. Acção, aventura, violência quase gore e batalhas numa escala arrebatadora são os ingredientes de uma receita que parece cada vez melhor e maior.

História dos jogos anteriores:

A personagem que controlamos é, como mencionado, Kratos, um guerreiro espartano que no seu passado, em desespero, rendeu a sua alma e ofereceu a sua vida ao serviço do Deus da Guerra Ares pedindo em troca que este derrotasse os seus inimigos. Ares concedeu-lhe poder para derrotar os seus inimigos e Kratos passou a ser o "moço de recados" de Ares. Viciado no seu poder de destruição, Kratos foi induzido a matar a sua esposa Lysandra e a filha Caliope pensando que estas já tinham deixado a aldeia que o guerreiro estava a transformar em cinzas. Caindo em si, o guerreiro espartano viu-se traído pelo mesmo Deus que outrora o tinha salvo e, sob a maldição e o sofrimento do seu acto, jurou vingança sobre aquele que o tinha feito matar quem mais amava.

kratos01

Para um mero mortal, matar um Deus era impensável, mas ao adquirir a Caixa de Pandora e seguindo instruções de Athena, Deusa da Sabedoria e da Guerra Justa, e de Zeus, o Deus dos Deuses, Kratos conseguiu a vingança que desejava sobre Ares. Apesar de o ter morto, não conseguiu livrar-se da maldição e do sofrimento permanente que o atormentava. Sem esperança, o espartano lançou-se do mais alto penhasco que encontrou com o intuito de pôr fim a tal sofrimento. Nesse momento, surge Athena, que impediu tal sacrifício e coroou Kratos como novo Deus da Guerra, por este ter livrado o Olympo do progressivamente descontrolado e desobediente Ares.

Kratos morava agora no Olympo, mas inconformado e aborrecido, foi em auxílio do seu povo que travava uma batalha contra o seu destino. Athena proibiu-o, argumentando que este estava em dívida para com ela, ordem que o espartano ignorou. Usando todo o poder de um Deus, Kratos, no meio da devastação que causara, recebeu instruções de Zeus que lhe indicava a Blade of Olympus como arma essencial para o sucesso do objectivo que procurava. Quando Kratos alcançou a poderosa arma, Zeus castigou-o por ter desobedecido a Athena e atravessou-o com a Blade of Olympus, matando-o.

Enquanto descia ao Inferno, Kratos encontra Gaia, a Mãe Natureza e representante dos Titãs, guerreiros gigantescos que outrora combateram os Deuses e que deram a força de vontade suficiente ao espartano para fugir ao seu destino e conseguir regressar à Terra. Partindo com o desejo de acabar com o reinado de Zeus, Kratos teria de voltar ao passado para trazer os Titãs vivos para o presente, de maneira a que estes se ocupassem dos outros Deuses enquanto o espartano se vingava de Zeus. Através do portal do tempo, alcançado depois de derrotar as Irmãs do Destino, Kratos conseguiu o que pretendia e rumava agora ao monte Olympo para concluir o seu plano. Cara a cara com Zeus, o guerreiro espartano deparou-se com Athena que se opôs à sua investida contra o Deus dos Deuses e morreu pela lâmina do Olympo. Athena, no seu último suspiro, confidenciou a Kratos que Zeus era o seu pai e que a sua morte traria o fim do Olympo, ao qual o guerreiro respondeu que "se a morte de Zeus destruirá o Olympo, então todo o Olympo irá perecer".

kratos_fight

God of War III:

Kratos começa a aventura em God of War III no momento exacto em que tinha acabado GOW2: às costas de Gaia em direcção ao Monte Olympo onde Zeus se refugiou acobardado procurando protecção entre os outros deuses.


A principal marca de Kratos é a vingança, e quem lhe aparece à frente acaba quase invariavelmente morto. É provavelmente a personagem com pior carácter da história dos videojogos, mas não é por isso que não é também uma das mais populares.  Ao começar God of War III, o título parece que envia o jogador imediatamente para um clímax de pura acção, sem dar sequer tempo de aquecer. Ao jogar pensamos: como será possível manter este nível, se começa tão forte logo de início? Efectivamente a acção, apesar de se manter fluida, não atinge sempre picos tão extraordinários, havendo também lugar para os habituais puzzles e pequenos diálogos, por exemplo. Mas existem dois momentos muito fortes: o princípio do jogo e o final (ganhem ânimo com o primeiro, para descobrirem como é o segundo).

As batalhas contra os Boss's e algumas criaturas especiais são as que mais impressionam pela sua escala. Em certos momentos a dimensão que o jogo tem enquanto jogamos é inigualável, e torna Kratos tão pequeno em comparação com tudo o resto que se movimenta à sua volta, que ficamos a pensar como foi possível um desenvolvimento tecnológico que isto permitisse. Às vezes, temos a sensação que saímos de um paradigma onde o jogador se movimenta pelo cenário que é imóvel, para um outro onde é todo o jogo que se movimenta e o jogador é praticamente o único ponto fixo.

O controlo, em alguns desses momentos, desenrola-se com os característicos Quick Time Events que, em comparação com os títulos anteriores, não fazem com que desviemos a atenção do que Kratos está a fazer, pois os QTEs deste jogo estão mais perceptíveis. Nos outros títulos da série, os botões eram indicados no meio do ecrã perturbando a visão dos acontecimentos,  enquanto que neste as indicações estão mais intuitivas, sendo apresentadas nas extremidades do televisor e fazendo a correspondência com a disposição dos botões do comando. Assim, se aparece uma indicação no lado direito do ecrã é círculo, se aparece no lado esquerdo é quadrado, e assim sucessivamente.

kratos_fight2


Claro que este tipo de episódios são uma minoria daquilo que podem encontrar durante o jogo. Até porque Kratos tem de dar uso às suas belas armas. Para além das Blades, agora chamadas Blades of Exile, temos três tipos de armas que trazem consigo  tipos de luta muito diferentes com combinações variadas, embora não comecemos logo com todas elas. Caberá ao jogador escolher a sua estratégia, se prefere apostar em usar apenas uma ou duas mas tê-las a um nível muito forte, ou por outro lado ir variando, e ir fazendo upgrades a todas, logo, mais lentamente. Convém contudo alertar que mais cedo ou mais tarde poderão precisar de alguma arma em especial, pelo que não devem simplesmente ignorá-as na hora dos upgrades. Os upgrades são feitos com orbs, esferas vermelhas que acumulamos ao matar inimigos ou ao abrir arcas espalhadas pelo mapa. Cada upgrade às armas para além de aumentar-lhes o poder, permite acesso a novas combinações de movimentos. Cada arma tem uma habilidade especial e uma magia respectiva, ambas geralmente são muito eficazes e úteis em momentos de aflição. A habilidade especial tem uma barra de energia própria que é uma novidade na série e que, apesar de se regenerar automaticamente, gasta-se bastante depressa. Por sua vez, a habitual magia da arma pode ser invocada drenando a barra original azul.
Tanto a barra de energia (verde) como a barra da magia (azul) como a da habilidade especial (amarela) começam com um tamanho pequeno, mas podem ser aumentadas através da recolha de três tipos de items durante o jogo, que nos vão permitir melhorar cada uma das três barras.
Kratos obterá ainda outros acessórios que lhe serão úteis na sua exploração e nos seus combates. E mais não convém dizer, excepto que ele os adquire de modo... muito original.

De salientar ainda um par de cenas onde Kratos se lança num veloz voo vertical, num espaço apertado, dando uso às asas de Icarus "herdadas" pelo espartano em God of War II. Nessas sequências, temos a câmara a seguir-lhe o voo, e compete-nos desviar dos obstáculos que vão aparecendo. Uma óptima e divertida maneira de quebrar a "rotina", após algumas horas com a jogabilidade tradicional de God of War.

cubes

Como já foi referido, embora continue a haver os puzzles, presentes numa maneira fluída e talvez revelando-se mais acessíveis e compreensíveis que nos GOWs anteriores, fora deles a acção é constante e o ritmo muito elevado. Talvez por isso o jogo não seja muito longo, mas as horas que dura têm indubitavelmente o mérito de serem muito bem recheadas. Em relação à dificuldade, God of War nunca foi um jogo propriamente fácil. Contudo, os diferentes níveis de dificuldade agradarão a todos os gostos. Se quiserem ser testados ao máximo, poderão desbloquear uma dificuldade adicional quando acabarem o jogo. Se por outro lado estiverem aflitos sem conseguir passar algum ponto do jogo, ele próprio convida-vos a aligeirar a dificuldade, depois de morrerem 5 vezes consecutivas. Se quiserem passar por essa vergonha, claro...

No final, para além de terem disponível uma nova skin para Kratos e de poderem assistir ao making of do jogo, poderão ainda completar uma série de sete desafios, que não são propriamente fáceis e que vos darão acesso à conhecida Arena: um espaço onde o jogador cria um desafio próprio, colocando o número de criaturas que quiser de maneira a desafiar as suas habilidades, podendo ainda escolher que poderes e armas podemos usar.

Podem contar com o jogo totalmente localizado em português, tal como prometido pela Sony. Entre os restantes, o actor Ricardo Carriço faz a voz de Kratos, com um bom desempenho.

God of War III destaca-se pela sua consistência ao conseguir manter um nível de qualidade muito elevado, embora não traga assim grandes novidades à série, fora o facto de a trazer para a nova geração. Kratos chega ao final da trilogia com mais uma aventura épica pela mitologia grega. Será que ficará mesmo por aqui?

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