
Numa luta fortemente disputada entre Pro Evolution Soccer e FIFA, é díficil dizer qual o melhor. No entanto, o estilo ‘arcade’ de PES faz com que seja um óptimo candidato a campeão nas consolas portáteis. Será que finaliza com estilo?
Em Pro Evolution Soccer 2010 para a Playstation Portátil encontramos diversos modos. Desde o clássico Exhbition, que nos permite colocar duas equipas frente-a-frente num amigável, até ao modo League, onde iremos disputar, tal como o nome indica, uma liga com um clube à nossa escolha. Master League, talvez o modo mais associado a Pro Evolution Soccer, volta a marcar presença, como de outra forma não seria de esperar. Juntando a estes vêm ainda UEFA Champions League e Become A Legend.
Se perderam a conta ao número de modos referidos não se preocupem, é perfeitamente normal e bom sinal. Esta é, aliás, uma das vantagens de Pro Evolution Soccer 2010. Cansados de tentar levar a vossa equipa de jogadores ao estrelato no modo Master League? Tudo bem, experimente criar uma carreira de sucesso com um jogador criado em Become A Legend. É este o discurso que o jogo parece querer estabelecer connosco, o que só lhe fica bem.
Master League não precisa de introduções, uma vez que a mecânica onde nos são dados 25 ‘zés-ninguéns’ numa equipa de segunda linha com o objectivo de chegarmos o mais longe possível, é uma fórmula de sucesso já comprovada.

UEFA Champions League é igualmente bem montada. Aqui o jogo facilita-nos a vida ao escolher, automaticamente, os clubes licenciados para jogar mas permitindo, igualmente, ganhar a competição europia com qualquer outro clube.
Become A Legend será, provavelmente, a razão para experimentar Pro Evolution Soccer 2010, ao lado da Master League. Criando o nosso próprio jogador, quer na sua aparência, quer na sua capacidade técnico-táctica (como dizia o outro), podemos levá-lo ao estrelato. O jogo permite, inclusivamente, escolher como será a evolução do jogador podendo, por exemplo, atingir o seu máximo cedo na carreira ou nos anos mais tardios. Escolhendo a liga onde queremos começar, somos colocados num jogo de exibição onde depois, baseado na nossa prestação, seremos escolhidos para jogar numa equipa profissional, onde em cada partida controlaremos apenas o jogador criado. É pena que o jogo, no entanto, não nos permita disputar uma partida com um profissional à nossa escolha. Para compensar, podemos competir contra amigos neste modo.
Se no futebol muito se passa fora das quatro linhas, no que toca aos videojogos do desporto rei o mais importante é o que se passa dentro delas.
O estilo de jogo rápido, com passes a cortar as linhas defensivas e remates potentes é o que tem caracterizado Pro Evolution Soccer desde o seu nascimento. No entanto esta versão, na Playstation Portátil, acaba por não funcionar exactamente da mesma forma.
Sim, continua a ser possível fazer passes que desmarcam os nossos avançado e rematar tal e qual o Roberto Carlos, mas no que toca a passes de curta distância, o jogo (leia-se nos dois sentidos) muda de registo. É practicamente impossível fazer passes tensos para os nossos companheiros de equipa o que, por vezes, torna a jogabilidade frustrante. Se, por outro lado, preferem pegar num Cristiano Ronaldo e correr de uma ponta à outra do campo, então esse tipo de jogabilidade é perfeitamente possível. No entanto, como digo, caso pratique um futebol com muitos passes, irá ter algumas dificuldades que, infelizmente, terá de aprender a ultrapassar.

Os guarda-redes encaixam, a maior parte das vezes, bem na fotografia, não havendo nada mau a apontar neste ponto. O mesmo não se pode dizer da nossa defesa que, em certas ocasiões, parece perdida em campo, levando ora a situações compreensíveis, como ser ultrapassado por um avançado experiente, ora a situação ridículas, como dois defesas da mesma equipa chocarem ao tentarem alcançar uma bola de cabeça.
O modo Become A Legend merece consideração própria uma vez que a jogabilidade muda drasticamente. Para começar, o ângulo da câmara altera-se (sendo que é possível voltar ao original). Este ângulo é practicamente perfeito pois onde quer que a bola esteja a ser jogada, não perdemos o nosso próprio profissional de vista. No entanto, quando olhamos para os restantes jogadores, ficamos algo desiludidos. Embora funcionais na maior parte do tempo, os jogadores da nossa equipa irão, por vezes, agir sem qualquer lógica. Por exemplo, tendo a bola à entrada da área, onde um ‘bilhete’ para a baliza adversária é mais que benvindo, os nossos companheiros de equipa optam, algumas vezes, por passar a bola para o meio campo, estragando toda uma jogada.
Outro aspecto que não merece elogios no modo Become A Legend é o que se faz enquanto não entramos em campo. Quando começamos um jogo no banco, ansiosos por entrar e dar uns chutos na bola, ou mesmo quando saímos por substituição, a partida continua a decorrer, sem qualquer hipótese de nós jogarmos. Somos obrigados, por isso, a ver, de forma passiva, o dérbi, e pensamos que uma opção que permitisse simular o encontro até ao ponto em que entramos em campo era mais que benvinda, poupando os dois minutos onde estamos a aquecer, sem jogar. Felizmente há uma opção de reserva que nos permite acelerar o jogo, colocando-o ao dobro da velocidade, tornando a espera mais curta.

No que toca à apresentação visual, Pro Evolution Soccer 2010 recebe nota positiva. Os menus são bastante fáceis de navegar, estando todos os modos presentes e visíveis logo no primeiro segundo. Dentro das quatro linhas os modelos dos jogadores estão também bem trabalhados, sendo comparáveis com os antigos títulos para Playstation 2. Os atletas movem-se da forma a que estamos habituados, rápido e realisticamente.
Há, no entanto dois aspectos que, neste título, se tornam bastante contraditórios. O primeiro é o número de equipas licenciadas. Se bem que, no princípio da franchise, admitíamos que o número de equipas licenciadas fosse escasso, a cada ano que passa essa compreensão vai diminuindo. Temos ao nosso dispor várias selecções, assim como quatro ligas licenciadas, uma liga inglesa onde só Liverpool e Manchester United aparecem da forma correcta, e uma série de outras equipas, como os três grandes portugueses. Começa a fazer falta mais. No entanto, o facto de haver poucas equipas, faz com que seja possível encontrar jogadores detalhados com alta probabilidade, portanto nem tudo é mau.
O segundo aspecto que é contraditório é o aspecto sonoro. Quando navegamos pelos menus, somos presenteados com música de qualidade como Klaxons, Keane, The Chemical Brothers ou Kaiser Chiefs, que assentam que nem uma luva e nos dão energia para os jogos. No entanto, o lado negativo acontece quando entramos em campo. Os comentários são inexistentes, salvo quando marcamos um golo e os sons das claques mantêm-se sempre no mesmo ritmo, quer estejamos a perder por 0 a 4, quer estejamos a ganhar por 4 a 0.
Em suma Pro Evolution Soccer 2010 é um título que, fora algumas falhas, é mais que bom. É pena que essas falhas sejam demasiado importantes para serem ignoradas. Se fosse um clube, acabaria a liga em terceiro lugar. Melhor que a maior parte das equipas, com acesso à Liga Milionária, mas sem o título de campeão indisputável.




















