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Há dois anos sensivelmente, depois de muito esperar que Metal Gear Solid 4 fosse anunciado para a Xbox 360, lá juntei os, na altura ainda muitos, trocos para comprar o monólito preto da Sony. Dentro da caixa que continha a minha consola vinham 2 jogos, um deles era Uncharted: Drake’s Fortune. Sendo eu um ávido jogador de Xbox 360 e estando estupidamente desiludido com o portefólio PlayStation na altura, nada me fazia ter fé na monstruosidade que era a PS3, pelo menos até ter começado a jogar Uncharted.

O primeiro capitulo da saga já vinha repleto de acção, tinha gráficos assombrosos que ainda hoje poucos jogos tiveram o prazer de rivalizar ,e fez uma coisa que mais nenhum jogo singleplayer tinha feito desde que entrei na geração actual de consolas: prendeu-me à consola por horas a fio a fim de saber como acabava a aventura de Nathan Drake e dos seus comparsas.
Como já perceberam, um dos factores que me levou a gostar imenso do primeiro jogo, e estou certo que levou muitos de vocês também, foi sem sombra de dúvida a forma como a história se encaixava no jogo, não o facto de ser boa ou má, mas o pacing que esta conferiu ao jogo. Isso foi fenomenal e ao mesmo tempo estranho, foi algo que apenas Bioshock também me mostrou ser possÃvel. A maneira muito própria de contar a história, a forma como as personagens surgem, os clichés foleiros normalmente só vistos em grandes produções de Hollywood, Uncharted tinha tudo isto, e Uncharted 2 tem muito mais.
A aventura de uma vida.
Não querendo fazer muitos spoilers, posso dizer-vos que a história de Uncharted 2 tem inÃcio pouco mais de um ano após o primeiro capÃtulo, e leva-vos a percorrer vários locais pelo globo fora, em busca da Frota perdida do explorador Marco Polo. Para vos ajudar a enfrentar as peripécias que o caminho vos reserva, vão estar presentes muitas caras conhecidas e vão ser apresentadas muitas outras caras novas que fazem brilharete na estreia. Este é o caso de Chloe, cuja personalidade é quase inverso de Helena, a heroÃna do primeiro capÃtulo. Sempre pronta para acção, morena, muito directa e por vezes não muito bem educada, Chloe acaba por se tornar uma personagem ao estilo de Sawyer da série televisiva LOST, que por vezes não vai pelo melhor caminho. Mas no fundo, sem o tipo de antagonismo que transmite, o papel do herói de qualquer uma das histórias ficaria desonrado.
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Aspirante a Filme, Videojogo, ou ambos?
Claro que tudo isto não seria possÃvel, como acima já referi, sem os excelentes valores produtivos que temos oportunidade de presenciar nesta sequela de Uncharted. Esta é a parte em que começo-me a preparar para me esconder debaixo da secretária, pois vou falar de gráficos e, aproveitando para falar de como penso, não acredito que gráficos sejam tudo para uma boa produção, mas são sempre uma ajuda. Dou-vos o exemplo de Halo 3, embora não ache que os gráficos sejam tão bons como poderiam ter sido, adorei o jogo e considero-o um dos melhores jogos desta geração. Mas alguns pormenores técnicos no que toca a grafismo pareceram-me algo descuidados e acabaram por dar um aspecto vazio e um pouco irrealista ao jogo. Em Uncharted 2 isso está longe de acontecer, embora os gráficos não sejam ultra-realistas, a meu ver aproximam-se mais de (e são melhores do que alguns) filmes de animação. O detalhe e pormenor que são conferidos a cada ambiente são deslumbrantes e sem rival, todo o jogo parece vivo.
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E quando digo vivo, falo mesmo em vivacidade, cada pedacinho de superfÃcie tem uma textura diferente e que encaixa perfeitamente nas outras, 99% das texturas têm uma resolução incrÃvel e todos os nÃveis têm uma paleta de cor muito própria e luxuriante, algo que entrou um pouco em desuso esta geração, onde todos os jogos do tipo são algo para o pálido.
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As animações das personagens também contribuem bastante para a imersão no jogo. Tudo, desde os carregamentos das armas à s cutscenes, passando pelas personagens que vos acompanham em jogo e são controladas pela I.A., tem movimentos muito próprios e extremamente humanos. Estes devem-se principalmente ao facto de o uso de motion capture ter sofrido de abusos e de utilização mais do que extensa durante o jogo, traduzindo-se numa forma de jogar totalmente inovadora, onde o vosso personagem parece sentir o mundo que o rodeia. Cada desnÃvel no solo faz com que a posição das pernas mude, cada fonte de luz exagerada faz com que este tape a cara, e cada evento diferente espoleta um tipo de reacção a que não estamos habituados noutros jogos, o que tira da ideia de qualquer um que estamos a jogar com robots. Nate e o resto do cast são as personagens mais humanas que já vi em qualquer videojogo, e é simplesmente impossÃvel não sentir uma espécie de ligação e simpatia para com eles.
Jogabilidade, apresentação... está tudo a monte e é tudo muito bom!
Todos os aspectos que referi acima vieram ajudar a melhorar uma jogabilidade que já era de topo mas ainda tinha umas falhas. Perguntam vocês, em que é que a jogabilidade pode ser ajudada pela apresentação, se já referi acima que os gráficos não são tudo? A maneira como Drake deambula pelos cenários de jogo, a forma como este procede numa luta corpo a corpo, ou mesmo a forma como estica um braço quando temos que mudar de parapeito para trepar, tornam a jogabilidade única e mostram o expoente máximo de uma experiência interactiva.
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A jogabilidade foi afinada e misturada com elementos da apresentação para vos trazer uma experiência de jogo estupidamente emocionante e sem paralelo.
O Som também importa.
Tudo isto estaria perdido se a banda sonora não conseguisse acompanhar toda esta sequência fernética, mas até nesse aspecto tudo está fabuloso. Temos temas de jogo bem ao estilo das melodias presentes no velhinho Indiana Jones, que fazem o vosso sistema de som juntar as notas musicais da palavra épico vezes sem conta, tudo isto na melhor qualidade de som DTS disponÃvel e sem qualquer tipo de compreensão de ficheiros de audio. Somos também acariciados com grande elenco de vozes na versão inglesa e brindados com vozes em português que estão bem melhores do que aquilo a que estamos habituados, mesmo para os padrões de jogos da Sony que já têm tido este tipo de funcionalidade desde os primórdios da PS3 e em alguns jogos da velhinha PS2. Os diálogos são do melhor que existe no mundo dos videojogos e as piadas que as personagens que vos acompanham costumam dizer, ou mesmo as lamurias que Drake costuma proferir de lábios semi cerrados, parecem tão naturais, que as choradeiras que costumam passar pelos Oscars todos os anos se vão sentir mais animadas.
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Mas há mais?
Apesar de eu estar já satisfeito com esta brilhante experiência de um jogador, os deuses da NaughtyDog, empresa responsavél pelo tÃtulo, foram mais longe e resolveram fazer o vosso dinheiro valer cada cêntimo que vão gastar na sua obra. Depois de acabar o modo de jogador único, nada sabe melhor que por mãos à obra e começar a mostrar o que valem no modo multijogador. Este modo encontra-se dividÃdo em vários tipos de jogo.Â

No modo competitivo a história é outra, contem com os habituais deathmatch, elimination e caça ao tesouro, um tipo de jogo semelhante ao capture de flag. Por cada vitória, participação, e por comprirem certos parâmetros são recompensados com pontos que podem ser usados para comprar roupas para o modo multijogador, ou então add-ons que melhoram alguns parâmetros do multiplayer, como por exemplo mais munição, ou ser mais certeiro. Existem também classes que permitem, para além de representar o nÃvel em que cada jogador se encontra, desbloquear certas coisas que só acessiveis para essas classes.
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Embora não seja nada de original, o modo multijogador de Uncharted 2 é bem vindo, não servindo apenas para justificar os 69,90€ que a edição normal do jogo custa, como acontece com outros jogos. Se bem que não seja de todo necessário, pois a campanha por si só é excelente e totalmente digna do vosso dinheiro, mas é muito reconfortante saber que após terminada, podemos usar alguns dos truques que aprendemos a jogar solitariamente, contra os nossos amigos no modo online, visto que a jogabilidade e o grafismo do singleplayer se transmitem quase por completo para o multiplayer.
Será este o melhor jogo de todos os tempos?
Respondendo directamente à pergunta acima: não, talvez não... mas que é o melhor jogo dos últimos tempos, isso posso afirmar sem sombra de dúvida. Falemos nós do excelente grafismo, das animações tão naturais que chegam a ser surreais, da fantástica história que nos leva a não querer parar de jogar, ou até das imensas situações em que quase deixamos cair o comando a pensar "como é que ninguém se lembrou disto antes??" , Uncharted 2: Among Thieves tem um lugarzinho muito especial guardado no meu coração de gamer, e só espero que este seja o primeiro de muitos jogos com este tipo de atenção miniciosa ao detalhe que nos presenteia com uma situação bem diferente, num jogo supostamente linear e igual.
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Comentários
Focaste dois pontos que considero que elevam o U2 a um nÃvel superior quando comparado ao Drake's Fortune: o ritmo e os diálogos.
Quando comecei a jogar simplesmente não queria parar e o balanço entre a acção, os puzzles e os segmentos de plataformas está quase perfeito. Depois acontece que os protagonistas têm imensa personalidade, muito devido ao fantástico argumento e à prestação dos actores. A história pode não ser a mais original, mas o enredo está muito bem conseguindo.
Depois ainda tens um multiplayer muito completo, que dá ainda mais longevidade ao jogo.
E os gráficos...bem quando dizem que o U2 não trouxe nada de novo, eu penso imediatamente nos gráficos - impressionantes.
A única coisa que me desapontou um bocadinho foram as secções de 'stealth', podiam estar mais precisas.
Ah, e não suporto a versão em português xD
Excepto isso, GOTY so far.