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Análise: IL-2 Sturmovik: Birds of Prey

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IL-2 Sturmovik: Birds of Prey absorve um pouco o espírito das batalhas aérias características da Segunda Guerra Mundial, que devido ao avanço tecnológico na aviação, jamais se voltarão a repetir na História.

O jogo começa já a Segunda Guerra Mundial vai bem lançada, principalmente para o lado alemão, que domina grande parte da Europa Continental. A luta dos aliados fora infrutífera e a incapacidade para deter os Nazis acabara na famosa retirada de Dunquerque, a que Churchil chamou de “milagre”, de tão perto que esteve do desastre total. Protegidos geograficamente das forças nazis, do outro lado do Canal da Mancha, a guerra continuava agora nos céus entre a Royal Air Force britânica e Luftwaffe da Alemanha. O plano alemão para invadir a Grã-Bretanha (Operation Sea Lion) dependia grandemente de uma forte supremacia aéria. O desenrolar de toda a guerra seria decido nos céus, por “um punhado” de homens.

"Nunca no campo do conflito humano tantos deveram tanto a tão poucos".

E a partir daqui, terão à vossa disposição algumas das mais importantes batalhas ocorridas nos anos que se seguiram, na Segunda Guerra Mundial, culminando na tomada de Berlim.

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A componente histórica tem uma forte presença em IL-2 Sturmovik. Todo o ambiente do jogo faz-nos recuar no tempo, para esses dias negros da Humanidade. Desde logo a música, cujas primeiras notas que se fazem ouvir imediatamente nos fazem lembrar os grandes clássico do cinema sobre a Segunda Guerra.

Todas as cutscenes que antecedem cada missão são compostas por imagens de vídeo reais e uma narração que vai explicando de forma simples o evoluir da guerra e faz a contextualização histórico-militar da batalha ou missão que iremos cumprir.
Existe também uma enciclopédia cujos artigos se vão desbloqueando, que nos dá alguma informação sobre cada uma das batalhas que jogámos, bem como informações sobre as manobras que vamos aprendendo a executar. Por outro lado, o Hangar onde podemos consultar os aviões já desbloqueados apresenta também um pequeno texto sobre a história de cada avião, características técnicas e o seu papel na História.

Uma das principais consequências desta localização temporal é ser injusto comparar Sturmovik com qualquer outro jogo de aviação saído para consola nos últimos tempos. Tirando o facto de serem passados nos céus e terem aviões em combate, pouco têm em comum Hawx ou Ace Combat com Sturmovik. Os aviões de combate da Segunda Guerra são obviamente muito mais rudimentares e o seu desempenho está mais intensamente ligado à prestação do piloto, cuja principal arma é uma metrelhadora colocada na frente do avião, que só tem alguma eficácia a curta distância. Mas é essa a magia de Sturmovik. Não contem com misseis teleguiados, target lockets e afins, mas apenas com o vosso jeito para manobrar o avião e apontar a mira ao inimigo ao mesmo tempo.

Vindo originariamente do PC, a versão para as consolas enfrentava a dificuldade de 99.9% dos jogadores não possuirem joystick (muito lamentamos a quase inexistência de tal acessório no mercado), e a adaptação para os comandos poderia tornar o jogo demasiado simplicista prescindindo de grande parte da componente de simulação, o que não agradaria aos fãs do género. Pelo contrário, optar por manter o jogo demasiado complicado seria virar as costas ao grande público, e logo, ao sucesso comercial do jogo.

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A solução encontrada pela Gaijin Entertainment, produtora do jogo originária da Rússia, foi tentar agradar a todos. Assim, diria que IL 2 Sturmovik é um jogo com dupla-personalidade, com a vantagem de no caso, em vez de ser uma doença, ser uma virtude. O modo Arcade é o modo padrão e é o indicado para a maior parte dos jogadores, que têm pouca experiência com simulação realística de aviação. É um modo fácil, talvez até demasiado, onde o principal objectivo é a diversão. Com algumas ajudas próprias desse modo facilmente se completarão as missões do jogo. Ignoram-se aqui algumas leis da física ou as limitações dos aviões antigos, praticamente todas as manobras são possiveis, sendo de fácil adaptação ao comando da consola. É o modo onde a maior parte dos jogadores irá encontrar maior gozo. De destacar a opção de manter a câmara fixa no alvo enquanto vemos a nosso avião a fazer uma manobra arriscada para ficar mesmo atrás do alvo, ou quando simplesmente depois de abatido o nosso alvo, ficamos a ver a sua trajectória descendente em chamas, até à explosão final lá em baixo.

Já em modo Realistic, entramos num jogo completamente diferente. Os estáveis aviões com que nos divertiramos anteriormente tornam-se agora bem instáveis, e as manobras mais exigentes costumam acabar mal, num rodopio descendente e descontrolado que só com alguma perícia se consegue inverter. As leis da física tornam-se mais exigentes, os tiros disparados afectam a estabilidade do aparelho, ao mesmo tempo que sentem que o comando da consola deixa de ser um controlador tão satisfatório. Nesta componente de simulação, um joystick será o mais indicado para conseguirem ultrapassar as dificuldades. Este é um modo apenas indicado para os verdadeiros fãs da simulação aéria.

Ou talvez não. Existe ainda um modo de dificuldade superior, Simulator, onde a principal diferença é termos apenas ao dispôr a câmara dentro do cockpit, tal como um verdadeiro piloto. Não tem ainda radares para ajudar, apenas podem contar com a vossa visão. Um desafio tremendo, já que ficamos com a visão bem limitada de dentro do cockpit.

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Em relação ao tipo de missões, são variadas quanto baste. Não que houvesse um leque alargado de objectivos a cumprir nas missões aérias na Segunda Guerra, mas podem contar com combates aérios, ataques terrestres com bombardeiros, missões de protecção, ataques a navios, patrulhas, etç.

Graficamente Sturmovik é bem agradável. Os aviões apresentam bom detalhe, e os danos sofridos no avião são de grande pormenor -principalmente os buracos de balas nas asas. As explosões são também muito realistas, e é até frequente que o combustivel de um avião abatido demasiado perto vá parar ao vidro do nosso cockpit e perturbe a visão durante uns segundos. A extensa área dos mapas não permite um grande detalhe gráfico do solo, quer seja campo ou cidade, quando analisado de perto. Ainda assim, o detalhe é satisfatório, e quando estamos umas boas centenas de metros acima do solo, a paisagem é deveras agradável.

Podem contar com um modo multiplayer online até 16 jogadores, com quatro modos de jogo: Dogfight (todos contra todos), Team Battle (jogo por pontos entre duas equipas), Strike (jogo por objectivos entre duas equipas) e Capture Airfileds (luta pelo controlo do aeródromo da equipa adversária).


Nota Final:
IL-2 Sturmovik: Birds of Prey é um jogo assente numa atmosfera histórica que consegue porporcionar-nos boas horas de diversão. Peca sobretudo por não ter um meio termo de dificuldade, indo apenas do muito fácil ao muito difícil. No geral, Sturmovik reina os céus da simulação de aviação em consolas, pelo menos no que à Segunda Guerra diz respeito.

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