Overlord II é uma sequela directa da primeira versão, começa com uma apresentação efémera e divertida com criaturas adoráveis, mas que lá no fundo são traquinas e infernais. Onde normalmente cabe ao jogador ser sempre o herói, em Overlord as tendências invertem. Desta vez seremos nós a “espalhar o mal”, e é isso que estas criaturas com o epíteto denominado Minions vão fazer, claro, controladas pelo Mestre Overlad.
Todo o enredo assenta que nem uma luva no jogo, assim como os sempre animados e divertidos Minions: não faltam as cutscenes com uma boa dose de humor que quase sempre nos conseguem tirar um sorriso, acompanhados de uma pitada de magia e personagens carismáticas.
Começamos prontamente a espalhar o mal, fazendo rebolar bolas de neve em cima dos aldeões, acendendo foguetes criando o caos, e se ainda não bastasse, aparecem logo os primeiros Minions que espantados com o nosso comportamento, decidem ajudar partindo para a festa.
A personagem principal desta feita é o filho do primeiro Overlord: Overlad, claro está, aquela que controlamos, vai mudando de tamanho e aspecto no decorrer do jogo, podendo ser personalizado com novas armas: martelos, espadas, magias, e com armaduras que nos protegem dos ataques.
São cerca de quatro tipos de Minions, castanhos, vermelhos, verdes e os azuis: os primeiros não fazem mais do que distribuir porrada por todo o lado, quer seja destruindo caixas, barris, casas e mesmo aldeões; os vermelhos fazem tudo isso e ainda lançam bolas de fogo, ideal para desbastar um exército à distância; os verdes resistem sobretudo a toxicidade e venenos, e ainda dispõem do trunfo da camuflagem, serão então ideais para atacar pelas costas, em verdadeiras missões quase impossíveis (mais para a frente direi) ; os azuis nadam e conseguem camuflar-se, além de conseguirem ressuscitar Minions mortos em combate.
Só podemos controlar vinte Minions de cada vez, podendo escolher que tipo queremos levar. Dependendo do desafio, o melhor será levar cinco de cada tipo para haver sempre possibilidade de prosseguir. Podemos controlar cada tipo independentemente, pressionando as teclas, 1, 2, 3 e 4. Os Minions vão sendo guardados ou retirados por pequenos orifícios estrategicamente colocados para esse efeito, existindo cerca de quatro orifícios correspondentes por cores, para cada tipo de Minion, assim morrendo algum será fácil arranjar substituto. De acrescentar que vamos ganhando Minions à medida que apanhamos “almas” de todo o tipo de criaturas previamente abatidas.
O cenário apresenta uma qualidade e um ambiente muito bom, com muitos objectos destrutíveis, e com bastante interacção. Graficamente muito cuidado, com muitos locais de cortar a respiração, muitas vezes até nos leva a rodar a câmara a 360º para deslumbrar tamanha qualidade.
Vamos encontrar vários locais espalhados pelo mapa, o nosso lar ao fundo, por baixo da terra onde existe uma ligação com todos os pontos principais por portais. Aqui podemos melhorar o nosso exército, desde ressuscitar Minions, (se bem que não traz grande vantagem visto que para ressuscitar um Minion teremos que sacrificar outros tantos), comprar novas armas e adereços. Logo acima estão as cavernas, onde se descobre a verdadeira magia de contos de fadas.
Passamos ainda pela cidade Nodberg Town, com os seus habitantes em pânico, pelas ilhas onde perdura a magia, com piratas, pandas, aranhas e outros seres. Aqui poderemos controlar um barco que nos leva aos vários portos, muito animado, desde os sons dos tambores, a animação dos Minions e todo o ambiente muito bem conseguido.
A jogabilidade é outro ponto muito forte do jogo, apresentando uma câmara na terceira pessoa bem afastada. Existem algumas falhas logo à partida, para quem não está habituado este tipo de jogo, poderá tornar-se frustrante a início, embora sejamos presenteados com várias dicas muito úteis, como as teclas a usar para realizar determinada acção. Mesmo assim não é suficiente, mas com tentativas e erros lá acabamos por descobrir.
Existem tarefas que teremos de realizar, como por exemplo a possibilidade de deixar a nosso corpo e passar a controlar um dos Minions, que por sua vez passa a controlar todo o pelotão. Claro está que este tem as suas capacidades muito limitadas em comparação à personagem principal, mas é algo muito útil para passar em sítios estreitos. Os Minions vão ainda recebendo armamento extra ao longo de todo jogo, o que faz com que subam de nível. Este vai sendo encontrado ao longo de todo o mapa, dentro de caixas ou mesmo barris previamente destruídos, e os pequenos erguem os seus tesouros como se de troféus se tratasse, sejam eles: machados, foices, espadas e armaduras, por exemplo.
Também vamos encontrando verdadeiros tesouros escondidos em vários locais. Esse ouro vai servir para fazer melhorias nos nossos portais e não só: as armas custam dinheiro, ou pedras preciosas e estátuas que terão que ser encontradas. Claro que terão que sacrificar Minions para esse mesmo efeito.
A IA está bem apurada, mas poderia estar quase perfeita. Isto porque algumas vezes um Minion sai do pelotão sem rumo e foge sabe-se lá para onde, não valendo de nada chamar de volta, e acabamos mesmo por perder mais um guerreiro. Ainda de notar alguns problemas de clipping e algumas vezes poderá acontecer ficar preso no cenário.
No fundo esta sequela traz melhorias significativas, mas poderia estar bem melhor. As mais de 20 horas de jogo são suficientes, controlar um pequeno batalhão de Minions torna-se divertido e nunca chega a ser repetitivo. Existem tarefas verdadeiramente bestiais e cómicas, como por exemplo o assalto ao castelo, onde nos vamos infiltrar como ratos com os Minions verdes, com uma música de fundo muito envolvente, onde o campo sonoro também é o seu forte e todo o ambiente está bem conseguido. Foi sem dúvida uma experiência diferente e agradável, mesmo para quem não gosta do género aconselho vivamente a experimentar. Recomendadíssimo.
Nota: Overlord II está dísponível para PC, Xbox 360 e Playstation 3. A versão testada foi a de PC.
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