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Análise: Star Trek Online

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Star_Trek

Com as várias séries e filmes com estatuto de culto e milhões de fãs, Star Trek tenta agora entrar na dura competição dos MMORPG. Mas, num mercado fortemente liderado por World of Warcraft, será que Star Trek Online se consegue aguentar?


O jogo começa com a criação da nossa própria personagem e, segundos depois, estaremos já positivamente impressionados por esta ferramenta. Tal como o outro grande MMORPG da Cryptic, Champions Online, o editor de personagens é bastante completo e divertido. Seja a criar extraterrestres de raças já existentes na série Star Trek (incluindo humanos, klingons ou vulcans) ou uma espécie totalmente nova, é garantido que não nos faltarão opções.

Já no jogo teremos duas componentes separadas e com mecânicas bastante distintas: exploração no espaço e exploração em terra. Star Trek Online baseia a sua experiência nestas duas componentes, variando-as de forma consistente. Iremos explorar espaço e planetas juntamente com uma equipa que irá ser formada ao longo do tempo. Começando apenas com a nossa personagem, cedo somos convidados a integrar um novo membro na equipa e, sucessivamente, cada vez mais. Esta equipa irá acompanhar-nos para onde formos.

A exploração no espaço é a que irá agradar mais jogadores. Controlando a nossa própria nave, que poderá ser personalizada, somos convidados a viajar pelo espaço entre alguns locais emblemáticos das séries (como Deep Space 9) e, inclusivamente, lugares gerados aleatoriamente, promovendo assim a ideia de ir a “lugares nunca antes explorados”. Nesta secção iremos combater outras naves fazendo uso das nossas ferramentas, sejam as mais básicas, como phasers e torpedos, sejam habilidades dos oficiais que tivermos a bordo. A exploração e o combate no espaço pede que usemos estratégia inteligente. Um exemplo simples é o combate típico. Enquanto procuramos mover a nossa nave à volta dos inimigos para apontar ao lado mais fraco dos seus escudos, temos de atentar também aos nossos lados mais fracos, para não serem expostos. Ao mesmo tempo somos ‘convidados’ a usar habilidades dos nossos oficiais, como a regeneração de escudos. O combate torna-se, assim, dinâmico e fluído.

star_trek_1


Quando descemos à terra, porém, a desilusão pode surgir também. O combate a pé deixa de ter o elemento ‘estratégia’ que o combate no espaço utiliza. A razão para tal deve-se, principalmente, ao facto de que os nossos escudos, e dos nossos oficiais, regenerarem-se tão rapidamente que dificilmente teremos algum sentido de urgência ou ideia de perigo. Será fácil afastarmo-nos do nosso grupo de colegas e irmos sozinhos combater alguns inimigos sem que nos sintamos vulneráveis; coisa que num MMORPG partilhado com outras pessoas ou com personagens nossas, não deve acontecer.

Star Trek Online divide as suas missões em ‘episódios’, permitindo aceitar missões, ou concluí-las sem que seja necessário deslocarmo-nos ao chamado ‘quest-giver’. Para isso contribui a opção de, enquanto na nossa nave, podermos fazer uma ligação às várias personagens com missões para nos dar e, a partir daí, aceitá-las ou pedir mais informações. É uma mecânica que, certamente, fará a maior parte dos jogadores deste género contentes, poupando tempo.

Se esta funcionalidade é benvinda e agradável temos, no entanto, o reverso da moeda. As missões são repetitivas. Nomeadamente as missões feitas em terra. Será muito frequente descermos a uma nave vizinha ou planeta com o objectivo de trazer de volta determinado objecto ou pessoa, matando klingons ou borgs pelo caminho. As estrutura dos Episódios é igualmente repetida várias vezes e, para a maior parte dos fãs de Star Trek, a maior desilusão será não poder escolher o próprio caminho. Sim, é certo que podemos escolher as missões na ordem que pretendermos, e mais do que uma em simultâneo. Mas, para as completar, há que seguir um caminho linear, e muito semelhante às outras missões anteriores, sem possibilidade de escolher qual a nossa forma de resolver o problema que nos é apresentado.

star_trek_2


O combate no espaço, embora padeça do mesmo problema de repetitividade, tem alguma vantagem, uma vez que nos irá surpreender algumas vezes, de forma positiva. Exemplo disso é uma missão onde teremos de nos aproximar com a nossa nave de um objecto necessário de ser recolhido. Ao aproximar somos surpreendidos por um número inacreditável de inimigos ou, pelo menos, é isso que nos diz o nosso ‘radar’. Os inimigos são, afinal, minas facilmente destruídas, o que fará surgir um suspiro de alívio. Passados poucos quilómetros, porém, surge uma nave inimiga, relativamente forte, criando um combate aceso no meio de minas, que podem afectar a nossa nave. O resto do caminho, garanto-vos, será feito com precaução, sempre sem saber se o inimigo que surge no radar é uma nave inimiga ou, como esperamos, apenas mais uma mina.

Visualmente, Star Trek Online é muito bom. Os planetas estão detalhados e o espaço tem aquela sensação de ‘infinito’ que esperamos dele. Alguns detalhes, como o nome que demos à nossa nave estar de facto inscrito na nave, farão a delícia dos jogadores. Auditivamente a imagem não é tão bonita. Os sons são realistas, de facto, mas sentimos que deveriam existir mais. Nomeadamente, quando combatemos no espaço, que os nossos oficiais nos informassem quando, por exemplo, os torpedos estão novamente prontos a ser disparados. A câmara poderá, também, dar-nos alguns problemas quando combatemos a pé, mas não será nada de muito relevante.

Estando numa fase inicial, Star Trek Online padece dos mesmos males que as fases primórdias de outros MMORPG’s. Os servidores estão muitas vezes em baixo e os tempos de loading precisam de ser moderados, uma vez que existem em demasia. Um problema que me surgiu foi o de, sempre que instalava um novo patch, se tornar necessário reinstalar o jogo devido à não correspondência entre a versão do jogo que iniciava e a que tinha, de facto, instalada. Porém, admitindo que poderá ter sido alguma falha minha e não do jogo, será muito possível que o leitor nunca tenha este problema.

Concluindo, Star Trek Online é uma experiência agradável mas repetitiva. As mecânicas incluídas foram desenhadas de forma inteligente e eficaz. Pena é, lá está, o próprio jogo não proporcionar uma experiência rica e diversa. Os episódios usam quase sempre a mesma estrutura e não recebemos practicamente experiência nenhuma por eliminar inimigos, sendo que só a recebemos quando terminamos a missão. No entanto, sendo um MMORPG e, por isso, susceptível de vários patchs, o melhoramento de alguns problemas irá certamente acontecer, variando, esperamos, as missões. No fim dizemos apenas a Star Trek Online: Live long and prosper.

Strar_Trek

 

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