
Cryostasis: Sleep of Reason é a nova aposta da Action Forms. O jogo tem argumentos com potencial: um navio quebra-gelo encalhado, uma tempestade, criaturas estranhas, acontecimentos misteriosos, uma personagem com poderes “extra-sensoriais”, mas será capaz de brindar o jogador com uma história ao mesmo nível?
O jogo está visualmente agradável, mas se realmente quiserem tirar partido de todos os efeitos deverão ter um computador apetrechado de componentes recentes. O motor é bastante pesado aproximando-se de um Crysis, existindo jogos com efeitos muito semelhantes mas bem menos exigentes, tal como F.E.A.R.2. Podemos ainda observar efeitos muito realistas, imaginem entrar numa sala completamente congelada, com estalactites de gelo e com uma turbina central, e ligando a mesma, poderão vislumbrar efeitos muito bem conseguidos: além de aquecer poderão ver o gelo das paredes a derreter, e estalactites a descolar do tecto estilhaçando-se com o impacto no chão.

A IA dos inimigos está muito boa, bons reflexos e dando algum trabalho a abater. Cada tiro é “certo”, raios... às vezes mesmo espreitando já era motivo para levar com chumbo! Dos boss’s, já não posso dizer o mesmo, lembro-me de repente de um que leva duas Thompson e nunca fica sem munição. A IA aqui não é das melhores, reparei num bug muito estranho quando fiquei sem munição e tinha que fazer “reload”, encostei-me a uma fonte de calor e por incrível o mesmo boss não me conseguia matar, por eu estar a receber energia.
O jogo é um first-person shooter, ao estilo de Doom, mas não esperem sustos como Doom consegue fazer por exemplo. Existem momentos em que realmente quase nos faz saltar o coração ou ir com prudência e tentar avançar sem fazer o mínimo de barulho, “como na cozinha”, ou o boss com patas de aranha, mas nada que se compare com Cold Fear, Silent Hill, Doom ou mesmo Dead Space.

A história começa após o navio (utilizado para destruir o gelo marítimo para manter uma rota de comércio livre) denominado North Wind encalhar numa estação soviética, todos tripulantes morrem e o único sobrevivente é um meteorologista chamado Alexander Nesterov. Acordamos num pequeno compartimento onde a única saída é uma pequena porta que nos leva pela caixa de ventilação, até encontrar uma pequena lanterna que ao fim de algumas pancadas começa a funcionar, e será indispensável em sítios escuros. Não se preocupem porque a bateria nunca acaba.
Alexander possui uma espécie de termómetro capaz de mostrar a temperatura exterior, corporal e ainda estamina (muito importante para correr), e possui um poder estranhamente especial: sentir e alterar as vidas passadas dos recentes mortos. O meteorologista, portanto, é o único capaz de resolver os problemas criados após esse terrível incidente com o North Wind. Para isso tem que ler os corações dos mortos encontrados nos corpos, indispensáveis para prosseguir na história.
Alexander possui uma espécie de termómetro capaz de mostrar a temperatura exterior, corporal e ainda estamina (muito importante para correr), e possui um poder estranhamente especial: sentir e alterar as vidas passadas dos recentes mortos. O meteorologista, portanto, é o único capaz de resolver os problemas criados após esse terrível incidente com o North Wind. Para isso tem que ler os corações dos mortos encontrados nos corpos, indispensáveis para prosseguir na história.
Pelos vários cantos o jogador vai encontrando fontes de calor, sejam elas candeeiros, máquinas em funcionamento, fogueiras, canos rotos, que são precisas para poder sobreviver ao frio. O jogador pode ainda contar com a ajuda de armas corpo-a-corpo, como machados no inicio, e várias armas desde snipers e caçadeiras, até uma thompson, encontrando munições em vários locais do mapa, bem como de criaturas previamente abatidas.

Cada coração tem uma história para contar, e Alexander o papel de a alterar, “encarnando” nessa personagem. Vamos ainda encontrar vários puzzles simples para resolver, que encaixam bem na história, tais como controlar guindastes para levantar tubos, usar um fato de mergulhador ao estilo de “Big Daddy” para soldar ou cortar portas e tubos de baixo de água. Lembro-me de um realmente interessante, em que alguém nos pede uma peça porque o navio estava a meter água. Somos então forçados a trabalhar de torneiro improvisado, fazendo a peça do inicio ao fim com uma sequência em várias máquinas. Muito bom mesmo, tudo está muito bem conseguido, mas se não seguirem exactamente aquele caminho, terão de recomeçar.
A história vai sendo também contada à medida que vamos encontrando pequenos documentos espalhados pelo mapa. Aqui entra uma narradora que nos vai lendo um pouco dos acontecimentos, bem ao estilo de desenhos animados “Era uma vez”.
O jogo torna-se de certa forma repetitivo, o navio é gigantesco (cozinha, sala de cinema, criação e matadouro, morgue, aquário, sala de testes nucleares, hospital, cadeia) e tirando uma mão cheia de algumas sequências mais trabalhadas (o helicóptero por exemplo é uma delas), resume-se a abrir porta, fechar porta, aquecer ali, aquecer de novo. Só mesmo nos últimos níveis é que finalmente podemos sair fora do navio espreitando com mais detalhe o exterior. Contudo, descobrindo o passado da tripulação, podemos ver o que se passou de vários pontos, várias personagens. Vamos ainda encontrar animais como: cães raivosos, peixes, ursos e até vacas, estes últimos vamos “encarnar” e modificar a sua sentença final.
No final Cryostasis deixa um pouco a desejar. Havia realmente argumentos que poderiam dar uma grande história, um bom jogo, mas acaba por ficar na mediocridade, em que nem sempre prende o jogador, e “faltando a cereja no topo do bolo”, dá-nos um final sem nexo ou ligação com o resto da história. Contudo, se és fã de jogos deste género e um navio encalhado é um ambiente que te deixa desmedido, não deixes de entrar nesta aventura.
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